Título: Saúde motiva criação de projetos específicos
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Fonte: O Estado de São Paulo, 02/10/2012, Vida, p. A16
M.L. - O Estado de S.PauloO processo de envelhecimento da população tem motivado o surgimento de políticas públicas e de iniciativas independentes voltadas para o idoso. Ontem, foi sancionada em São Paulo a lei que cria o Fundo Estadual do Idoso. De acordo com o secretário estadual do Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia, a ideia da criação do fundo surgiu a partir da constatação de que no Estado de São Paulo existem mais pessoas acima de 60 anos do que crianças de até 4 anos.
"Enquanto a década de 1980 foi marcada por políticas públicas voltadas para a criança, agora, com o envelhecimento da população, a atenção se voltou para os idosos", diz.
Garcia explica que a lei permite que se use o mecanismo de isenção fiscal para contribuir com o fundo, que vai ser usado para a construção de "centros-dia", estruturas em que o idoso pode passar o dia praticando atividades culturais e de lazer.
Além disso, parte do recurso financiará um programa em que academias privadas receberão subsídio para atender idosos de baixa renda.
O geriatra Fernando Bignardi, coordenador do Centro de Estudos do Envelhecimento (CEE) da Unifesp, cita outro projeto na área, criado pelo próprio CEE: trata-se da iniciativa Bairro Amigo do Idoso, na Vila Clementino, zona sul de São Paulo. "A OMS criou uma proposta chamada "age friendly", que representa algo acessível para o idoso, mas também para crianças e para pessoas com necessidades especiais", explica Bignardi. O projeto tem promovido alterações físicas no bairro para enquadrá-lo na proposta da OMS.
O geriatra Paulo Camiz, professor da Faculdade de Medicina da USP, lembra que faltam programas de prevenção. "Os idosos chegam nessa faixa etária em condição de saúde muito ruim. O ambiente social ainda é hostil para o idoso. A população não tem uma consciência geriátrica." Ele conta que, no Japão, onde essa consciência geriátrica é mais avançada, até o modo com o motorista de ônibus freia o veículo é mais suave para não prejudicar os idosos. Para Camiz, é preciso criar um trabalho educacional amplo para que o Brasil atinja esse estágio. "Ainda tem muito preconceito. Eles são vistos como um estorvo para a sociedade. Mas é justamente o contrário. Mais da metade dos idosos sustenta suas famílias."