Título: Credores preveem recuo de 5% no PIB da Grécia
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Fonte: O Estado de São Paulo, 05/10/2012, Economia, p. B9
Previsão é superior à do governo, de 3,8%; negociação de novo pacote de austeridade de 13,5 bi enfrenta dificuldades e atrasa liberação de ajuda
A troica de credores internacionais da Grécia - formada por Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) - trabalha com a estimativa de uma contração de 5% na economia do país em 2013, segundo fontes com conhecimento do assunto. Essa previsão é bem mais pessimista do que a projeção oficial do governo, de contração de 3,8% do PIB no ano que vem.
O governo grego está negociando com a troica um novo pacote de austeridade de 13,5 bilhões, necessário para que a UE e o FMI liberem a próxima parcela do pacote de resgate recebido pelo país. As autoridades locais esperavam que a liberação da parcela pudesse ser aprovada numa reunião dos ministros de Finanças da zona do euro marcada para Luxemburgo na próxima segunda-feira. Alguns credores internacionais questionaram a eficácia do pacote de austeridade.
O ministro das Finanças da Grécia, Yannis Stournaras, disse que as negociações sobre os cortes de gastos com a troica estão difíceis e fontes afirmam que a próxima parcela da ajuda internacional, de 31 bilhões, pode ser aprovada somente numa reunião extraordinária em novembro. Stournaras disse que há "uma divergência bastante grande" entre o governo do país e seus credores multilaterais em torno dos cortes de gastos .
Segundo Stournaras, o governo grego e a troica estão tentando chegar a um acordo. "Estamos tentando alcançar o melhor resultado possível, de modo que a próxima parcela seja liberada mais rapidamente", disse o ministro depois de uma reunião com o primeiro-ministro Antonis Samaras.
Com a economia grega em seu quinto ano de recessão e a taxa de desemprego acima de 24%, o governo local está relutante em adotar novas medidas para reformar o mercado de trabalho, como exigem os credores da troica. Este ano a Grécia já reduziu o salário mínimo em 22%, em uma das reformas mais polêmicas promovidas pelo governo desde o começo da crise.
Confronto. Ontem a polícia grega entrou em confronto com trabalhadores de um estaleiro que invadiram o Ministério da Defesa em Atenas, exigindo pagamento de salários atrasados. Cerca de 300 trabalhadores do estaleiro Hellenic Skaramangas (HSY) invadiram o complexo ministerial aos gritos de "queremos soluções, e não demissões". Os trabalhadores alegam que não são pagos há seis meses porque o Estado grego, que está quase falido, não pagou o proprietário do estaleiro. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS