Título: Oposição governará 30% menos eleitores, indicam pesquisas
Autor: Bramatti, Daniel
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/10/2012, Nacional, p. A8

Os resultados do 1.° turno e as pesquisas do 2.° turno indi­cam que os partidos de oposi­ção à presidente Dilma Rousseff terão um encolhimento de 30%, pelo critério do núme­ro de eleitores governados, quando comparadas as elei­ções de 2008 e 2012.

Há quatro anos, PSDB, DEM, PPS e PSOL - então na oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva - conquistaram nas ur­nas o comando de cidades que concentravam 28% do eleitora­do do País. Esses mesmos parti­dos devem eleger agora prefei­tos de municípios que abrigam 19% dos eleitores.

Os números foram calculados pelo Estadão Dados com base nos resultados das eleições em 5.515 cidades onde a disputa foi encer­rada no último dia 8, além de re­sultados de pesquisas em 39 dos 50 municípios onde haverá segundo turno. Se houver reviravol­tas na reta final - principalmente em São Paulo, que possui 8,6 mi­lhões de eleitores -, portanto, os porcentuais podem mudar.

O encolhimento da oposição não se traduz em crescimento dos partidos da base governista. Os aliados de Dilma tendem a conquistar o comando de 72% do eleitorado, resultado apenas levemente superior ao obtido em 2008 (71%).

Quem avançou nesse período foi o bloco dos chamados inde­pendentes, hoje formado por PV e PSD - esse último partido, que não existia há quatro anos, sur­giu de um racha no DEM e é um dos responsáveis pelo definha­mento do bloco oposicionista.

Em números absolutos, as le­gendas de oposição passaram a governar 35 milhões de eleitores quando seus prefeitos eleitos em 2008 tomaram posse no ano se­guinte. Pelo que projetam as pes­quisas, essa parcela cairia para pouco menos de 27 milhões de eleitores no período 2013-2016.

Já os partidos da base podem ampliar seu eleitorado governa­do de 91 milhões para 99 milhões em quatro anos. Ao se comparar as duas eleições, é preciso levar em conta o fato de que o eleitora­do total do País cresceu de 129 milhões para 138 milhões.

Independentes e aliados. Em termos formais, PV e PSD não fazem parte da base governista. Mas, na prática, seus parlamenta­res demonstram ter alta fidelida­de a Dilma. Segundo o Basômetro, ferramenta online que mede o governismo no Congresso, os deputados dos dois partidos se­guiram a orientação do Palácio do Planalto em 77% e 88% das votações realizadas desde o iní­cio de 2011.

O prefeito de São Paulo, Gil­berto Kassab, que comanda o PSD, ainda pode formalizar a adesão do partido ao bloco pró-Dilma, o que elevaria a parcela do eleitorado sob o comando de prefeitos govemistas para o pata­mar recorde de 78%.

A força dos governistas nos mu­nicípios é um trunfo para Dilma na eleição de 2014. Mas nada ga­rante que os prefeitos ajam de mo­do coeso. Os eleitos pelo PSB, por exemplo, hoje estão na base, mas podem ser cabos eleitorais do pre­sidente do partido, Eduardo Cam­pos, caso ele decida concorrer.