Título: Operários voltam ao trabalho em Suape
Autor: Warth, Anne
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/11/2012, Economia, p. B5

Acordo fechado com os trabalhadores prevê aumentos salariais de até 71% e compensação dos dias parados

MONICA BERNARDES, ESPECIAL PARA O ESTADO / RECIFE - O Estado de S.Paulo

Em greve desde 30 de outubro, os trabalhadores da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e da Petroquímica Suape (PQS) voltaram, na manhã de ontem, aos canteiros de obras, acatando uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que considerou a paralisação ilegal.

O retorno aconteceu após o fechamento de um acordo, assinado na terça-feira, entre o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem no Estado de Pernambuco (Sintepav-PE) e o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon).

Negociado com o apoio da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) em Pernambuco, o acordo incluiu a criação de uma tabela que prevê uma média dos salários como novo piso para 32 categorias profissionais. Na tabela, segundo o Sintepav-PE, os ganhos variam de 16% a 71%. A compensação pelos dias parados será realizada caso a caso por empresa.

No retorno aos canteiros, no entanto, muitos trabalhadores tiveram o crachá recusado na portaria, o que, de acordo com os representantes sindicais, pode ser um sinal de que eles estariam na lista de demitidos por causa do movimento. Os números extraoficiais apontam pelo menos 90 demissões por justa causa e outras 700 tidas como normais pelo sindicato da categoria. Essas últimas seriam motivadas por desmobilização natural no canteiro, à medida que a construção das obras avança.

Segundo o presidente do Sintepav, Aldo Amaral, a entidade continua tentando reverter as demissões que têm relação com a paralisação. Já para a advogada do Sinicon, Margareth Rubem, não haverá readmissão dos dispensados por justa causa. "Não vamos readmitir os que foram demitidos porque destruíram patrimônio e fizeram barricadas. Não há o que discutir", destacou.

Os quase 55 mil trabalhadores da Refinaria Abreu e Lima e da Petroquímica iniciaram movimento grevista em agosto. Desde então, houve tentativas de acordo, com a retomada parcial do trabalho por alguns dias e, na sequência, novas paralisações.