Título: Mantega pede ao IBGE para rever dados do PIB
Autor: Froufe, Célia; Veríssimo, Renata
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/12/2012, Economia, p. B8
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, quer que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revise os dados sobre o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) referentes a saúde e educação pública no terceiro trimestre do ano. Ele disse que esses itens têm peso no número geral e que considerou "estranho" o resultado mais baixo, porque o governo é obrigado por lei a aumentar os gastos nesses setores todos os anos.
Entre julho e setembro, a expansão do PIB foi de o,6%, conforme divulgou o IBGE na última sexta-feira. O resultado frustrou o governo e o mercado financeiro, levando analistas a fazerem uma nova rodada de projeções para o ano, que agora giram em torno de 1% de crescimento - patamar considerado possível pelo ministro.
"Pedimos que o IBGE revise esses dados", afirmou ontem durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). No fim de sua apresentação, Mantega disse que a redução apontada pelo IBGE pode ter sido reflexo da atuação de Estados e municípios, já que, segundo ele, não há dúvidas de que a União gastou mais nessas áreas. "Agora, eu quero entender por que cresceram tão pouco", disse.
Revisão. O ministro lembrou que revisões dos números do PIB são comuns no mundo inteiro e que, inclusive, o resultado do segundo trimestre do ano foi alterado para "pior".
O instituto reduziu a expansão de 0,4% para 0,2%. "É natural isso, estamos muito próximos do fato gerador e pode-se cometer algum erro que depois será corrigido", argumentou. "Após um tempo, o dado fica mais preciso" continuou.
Otimismo. Apesar de ainda acreditar em um crescimento de 1% este ano, Mantega disse que a previsão mais pessimista é de uma expansão de 0,8% no último trimestre do ano, o que faria com que a taxa de 1% não fosse alcançada.
Ao sair da CAE, Mantega justificou que, assim como havia hipóteses mais altas para o período - de 1,3% e de 1,5%, de duas instituições privadas -, cabia também uma "menos otimista". "Coloquei para ter mais de um cenário."
Ao falar aos parlamentares, Mantega enfatizou que está satisfeito com a recuperação da indústria de julho a setembro, e que essa trajetória deve continuar nos últimos meses de 2012.
Além disso, defendeu seu trabalho ao dizer que houve aumento dos investimentos sociais no País e controle dos gastos pelo governo.
"Não podemos julgar pelo desempenho de um ano" disse, Ele admitiu ainda que não é possível dizer que o Brasil não foi atingido pela crise, mas salientou que "o mais importante" é ter capacidade de recuperação.