Título: FMI diz que redução da dívida grega é inegociável
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Fonte: O Estado de São Paulo, 16/11/2012, Economia, p. B3
Fundo pede "outras ações" da União Europeia para reduzir a dívida do país.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou que a meta de redução da dívida da Grécia, estabelecida no programa de resgate destinado do país, não é negociável. Segundo a instituição, a União Europeia precisa adotar "outras ações" para reduzir a dívida grega.
"O essencial para nós é a sustentabilidade da dívida da Grécia", afirmou o porta-voz do FMI, William Murray, quando questionado qual é o limite traçado pelo Fundo. "Isso significa que, até 2020, nós queremos ver a dívida da Grécia em 120% do seu Produto Interno Bruto (PIB)", acrescentou.
Ele disse ainda que "claramente serão necessárias outras ações para garantir que nós atinjamos uma posição de dívida sustentável para a Grécia". "É preciso reduzir a relação dívida/PIB de uma maneira significativa."
Economistas dizem que a dívida da Grécia deve atingir o pico de 190% do PIB no ano que vem e que será impossível cumprir a meta do FMI de uma dívida de 120% até 2020 se a Europa não aceitar perdas nos seus empréstimos para o país. Após os gregos terem aprovado na semana passada um novo pacote de austeridade, o FMI estabeleceu um série de possíveis cenários para a redução da dívida e apresentou aos seus parceiros europeus.
Segundo Murray, o FMI já estendeu os vencimentos e reduziu os juros de alguns dos seus empréstimos para a Grécia e não pode fazer mais, como por exemplo oferecer "empréstimos concessionais", que têm juro zero e geralmente são fornecidos para países pobres. "A Grécia é inerentemente um país rico e não se qualifica para a concessão de um empréstimo", afirmou ele.
Apesar de a UE ser contra reestruturar a dívida grega que está nas mãos do setor público, Murray disse que não existe um impasse nas conversas entre o bloco e o FMI. Segundo ele, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, vai interromper uma viagem pela Ásia para participar do encontro dos ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo) na quarta-feira.
"Esse é o exemplo mais claro que eu posso dar para mostrar que as conversas não estão em um impasse. É do interesse da Grécia, do interesse da Europa e do interesse do mundo que a Europa ajude a levar a dívida da Grécia para uma posição que não leve à bancarrota do país", disse Murray. "Nós queremos uma solução real, não uma solução de curto prazo. Uma solução rápida não vai funcionar agora."
EUA. Em relação aos Estados Unidos, o porta-voz do FMI disse que os dois partidos políticos precisam chegar a um acordo para evitar o "abismo fiscal". "Abismo fiscal" é a situação em que os EUA estarão no começo de 2013 com o fim dos cortes temporários de impostos para os mais ricos simultâneo a cortes automáticos de gastos públicos.
Segundo Murray, as promessas de reinício das negociações, feitas pelas lideranças políticas, são encorajadoras, mas caso elas não cheguem a um acordo, isso poderá levar a uma contração da economia dos EUA e provocar uma "onda de choque" em todo o mundo. "Todas as partes precisam agir para lidar com esse problema rapidamente. Isso significa que todos, os dois lados da equação, têm de estar prontos a lidar com o "abismo fiscal" e com a questão do teto de endividamento do governo."Nesta semana, o presidente Barack Obama, do Partido Democrata, e o presidente da Câmara, deputado John Boehner, do Partido Republicano, expuseram suas posições para o início das negociações.