Título: Intervenção de líder buscou pôr fim a disputa no chavismo
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Fonte: O Estado de São Paulo, 10/12/2012, Internacional, p. A10

Os médicos cubanos que tratam Hugo Chávez queriam submetê-lo a nova cirurgia já na sexta-feira, logo que a gravidade de seu caso ficou compro­vada, mas divisões internas no chavismo - às vésperas das eleições estaduais do domingo e a disputa pelos papéis de mais destaque no Parti­do Socialista Unido da Venezuela (PSUV) - fize­ram com que o líder retornasse na madrugada de sábado a Caracas para aparar as arestas políti­cas.

A escolha de Nicolás Maduro por Chávez co­mo seu sucessor - inicialmente desenhada no mês passado quando o chanceler foi nomeado vice-presidente - acirrou a disputa pelo poder no campo chavista. Além de Maduro, o ex-vice- presidente e candidato ao governo de Miranda, Elias Jaua, e o presidente da Assembleia Nacio­nal, Diosdado Cabello, esperavam ser indicados como herdeiro político do líder bolivariano. Por fora, corria também o ex-ministro da Defesa e candidato ao governo do Estado de Nova Esparta, general Carlos Mata Figueroa.

Fontes consultadas pelo Estado em Caracas afirmam que a indicação de Cabello ou Mata Figueroa teria repercussões, positivas e negati­vas, entre os quartéis do país: Cabello, que acom­panhou Chávez na fracassada tentativa de gol­pe de 1992 e chegou a ocupar, por 24 horas, a presidência da república após o contragolpe de 2002, é visto com desconfiança pelos militares. Muitos o acusam pela intriga que causou a pri­são de Raúl Isaías Badue l-ex-comandante-geral do Exército e ex-ministro da Defesa.

Baduel não se subordinou aos líderes do movi­mento golpista de 2002 e foi o responsável mili­tar pelo retorno de Chávez ao Palácio de Mirafíores. Quando seu prestígio crescia entre as bases chavistas, foi acusado de desvio de fundos e sen­tenciado a 8 anos de prisão.

Já Mata Figueroa é tido como o responsável pela incorporação de oficiais de inteligência cubanos no Exército, algo que alguns militares de patente média ainda não digeriram bem. Jaua, originário do movimento estudantil, por seu lado, não era visto como um líder suficiente­mente forte para manter o chavismo no poder mesmo sem Chávez.

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