Título: Estado de saúde de Chávez se agrava e Caracas suspende festas de ano-novo
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Fonte: O Estado de São Paulo, 01/01/2013, Internacional, p. A8

O agravamento do estado de saúde do presidente da Vene­zuela, Hugo Chávez, levou on­tem o governo a suspender os festejos públicos de fim de ano em Caracas. A notícia cau­sou incerteza e angústia entre a população, líderes políticos chavistas e até opositores. Chávez passou por uma delica­da cirurgia em Cuba, no dia 11 de dezembro, e sofreu graves complicações pós-operató­rias.

A apreensão com o estado de saúde de Chávez cresceu depois que o vice-presidente da Vene­zuela, Nicolás Maduro, voou às pressas para Havana, no sábado. Em Cuba, ele adotou pela primei­ra vez um tom mais pessimista, admitiu que o processo de Chá­vez não está "isento de riscos" e destacou que o lídèr enfrenta "es­sa difícil situação" graças "a sua força física e espiritual".

No domingo, Maduro anun­ciou a piora no estado de saúde do presidente em um pronuncia­mento na TV. Ao lado de sua mu­lher, a procuradora-geral Cilia Flores, da filha de Chávez, Rosa Virginia, e de seu marido, o mi­nistro da Tecnologia, Jorge Arreaza, ele classificou o estado de saúde do presidente de "delica­do" e falou em "novas complica­ções surgidas como conseqüên­cia de uma infecção respiratória já conhecida".

Chávez, de 58 anos, jáhavia so­frido um sangramento inespera­do causado pela operação de seis horas no dia 11. Depois, autorida­des venezuelanas disseram que os médicos cubanos tiveram de tratar uma infecção respiratória. O presidente não é visto em pú­blico há três semanas.

Cancelamento. Ontem, ao can­celar o tradicional show de encer­ramento do ano na Praça Bolí­var, no centro da capital, o minis­tro da Informação, Ernesto Ville- gas, convidou as "famílias de Ca­racas e as venezuelanas de todo o país a esperar o ano-novo reuni­das em cada lar em uma oração de fé e esperança pela saúde de Chávez".

"Não se pode brincar com a dor do povo, respeito por Chá­vez, por seus parentes e pelo po­vo", disse Villegas durante um discurso feito na noite de domin­go a um programa da emissora estatal VTV. "Não acreditem no que está sendo escrito no Twitter, não se pode brincar com c saúde do comandante Chávez. Este é um assunto que tem reper­cussão na vida de terceiros. Vamos assumir isso com muita responsabilidade."

O presidente está no poder desde 1999 e obteve mais um mandato de seis anos nas eleições presidenciais de outubro. Sua posse está marcada para o dia 10. De acordo com a Constituição venezuelana, "se o candidato eleito não puder assumir a presidência no dia 10 de janeiro seguinte à eleição, uma nova votação deve ser realizada no pra- zo de 30 dias".

No entanto, o presidente da Assembleia Nacional (Parlamento), Diosdado Cabello, já garantiu que não serão convocadas novas eleições no dia 10. Ele rejeitou ainda assumir o poder provisoriamente, como manda a Constituição. O sucessor preferido dos chavistas - indicado pelo próprio presidente - é Maduro.