Título: Indústria recua três anos, diz IBGE
Autor: Amorim, Daniela
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/01/2013, Economia, p. B4

Resultado ruim de novembro provoca dúvidas sobre recuperação da economia

A produção industrial caiu 0,6% em novembro em rela­ção a outubro, informou o Ins­tituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além da queda de novembro, o IBGE di­vulgou uma revisão dos dados de outubro. A alta de 0,9% na produção em outubro foi cor­rigida para um crescimento de apenas 0,1%, o que confirma um cenário de pouco dinamis­mo na indústria.

A queda de novembro reforça o quadro de fragilidade da indús­tria, embora tenha sido menos acentuada do que o mercado es­perava. Com a queda de novem­bro, é como se a produção tives­se recuado três anos.

Em novembro, 16 dos 27 seto­res analisados pelo IBGE regis­traram queda, com destaque pa­ra as perdas das indústrias extrativas (-6,7%) e dos veículos auto­motores (-2,8%). A produção de bens de capital também caiu, mostrando que não houve uma retomada dos investimentos.

Economistas alertam que o de­sempenho da indústria aponta para um quarto trimestre fraco da economia, confirmando as previsões que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de­ve fechar abaixo de 1% em 2012.

"No último trimestre, a recu­peração que a gente esperava não aparece. Ela não só foi pos­tergada como aumentaram as in­certezas sobre quando aparece­rá, se será nos primeiros meses de 2013 ou não. Não há nada que permita dizer que ela vai aconte­cer no início do ano", disse Rogé­rio César de Souza, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial.

IPI. A redução do Imposto so­bre Produtos Industrializados (IPI) beneficiou a produção dos setores contemplados - automó­veis, eletrodomésticos da linha branca e artigos de mobiliário -, mas não teve força suficiente pa­ra forçar um crescimento mais robusto na indústria nacional em 2012. "A palavra "robusta" a gente pode claramente descar­tar", afirmou André Macedo, ge­rente da Coordenação de Indús­tria do IBGE.

A redução do IPI fez com que a categoria de bens de consumo duráveis apresentasse desempe­nho distinto do setor industrial como um todo.

Enquanto os bens duráveis apontaram avanço de 9,4% em outubro e novembro, na compa­ração com o mesmo período de ; 2011, o total da indústria cresceu apenas 0,8%. Já a categoria de bens de capital caiu 7,7%. "A re­dução de IPI fica um pouco res­trita aos setores em que está inse­rida. A medida traz algum tipo de benefício, em função do encadeamento de alguns setores industriais, mas que não acaba tão dis­seminado na produção industrial" disse Macedo.

No ano, a indústria registra uma perda de 2,6%. Embora te­nha havido movimento de ajuste nos estoques, outros fatores im­pedem uma recuperação mais vigorosa. "Temos o endividamento das famílias, a recuperação mais lenta da expectativa dos em­presários, o cenário adverso do mercado internacional que afeta a perspectiva de investimentos, e mercados internacionais importantes importando menos", citou o gerente do IBGE.

No bimestre outubro-novembro, houve aumento na produção de automóveis (17,7%), ele­trodomésticos (9,1%) e artigos de mobiliário (7,0%), em relação ao mesmo período de 2011. "Não, temos claramente uma trajetó­ria de recuperação. O movimen­to é bem irregular, com forte in­fluência da redução de IPI", dis­se Rafael Bacciotti, da Tendên­cias Consultoria.

Ao mesmo tempo, houve queda na produção de caminhões, que voltou a impactar a fabrica­ção de bens de capital. O setor de automóveis e autopeças teve re­dução de 7,5% em novembro em relação ao mesmo mês de 2011. A produção de bens de capital caiu 10,3%.