Título: Carta de Chávez marca festa bolivariana
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/02/2013, Internacional, p. A16

Presidente volta a dizer que se está se recuperando e pede união a partidários

O governo venezuelano divul­gou ontem uma nova carta as­sinada pelo presidente Hugo Chávez, internado em Cuba desde dezembro para recupe­rar-se de um câncer pélvico. Na comemoração do aniversá­rio de 21 anos do golpe frustra­do promovido pelo líder bolivariano contra o presidente Carlos Andrés Pérez, Chávez lamentou sua ausência e pe­diu união a seus partidários.

"Devemos fazer florescer o bem inestimável da união. Ainda hámuitapátriaparalibertar", es­creveu Chávez. "Lamento estar fisicamente ausente do territó­rio pátrio, mas essa é a exigência da luta que estou enfrentando."

No texto, o presidente citou suafamosafrase ao ser preso du­rante o golpe frustrado: "Me reti­ro por agora". "O "por agora" é para sempre. Estou com vocês de boina vermelha ebracelete tri­color."

Mais cedo, o vice-presidente Nicolás Maduro inaugurou um quadro de Chávez, de boina e uni­forme militar, remetendo aos dias do golpe. Um documento que autoriza investimentos da PDVSA, com a assinatura do líderbolivariano, foi mostrado pe­lo vice.

Milhares de chavistas tomaram ontem as ruas de Caracas para celebrar a intentona. Duran­te o dia de comemorações, líde­res chavistas exaltaram a figura de Chávez, internado em Cuba desde de dezembro, e lhe jura­ramlealdade.

O presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, rea­firmou a lealdade das Forças Ar­madas - nas quais tem considerá­vel influência - a Chávez. O vice- presidente Nicolás Maduro, her­deiro político do líder bolivaria- no, exaltou o golpe frustrado, inaugurou um quadro em home­nagem ao presidente e prome­teu divulgar uma nova mensa­gem do chefe de Estado, o que até o fim da noite não tinha ocor­rido.

"A frase "Me retiro por agora" foi como dizer "Aluta continua" e agora iremos para a revolução", disse Maduro, vestido com uma jaqueta com as cores da bandei­ra da Venezuela. "Chávez foi o primeiro a dar a cara a tapa. Por que ele apareceu por um minuto e meio na televisão? Porque era o líder do movimento, estrategis­ta e ideólogo."

Cabello, companheiro de Chá­vez desde o golpe, destacou a lealdade da ala militar chavista em discurso. "A lealdade não tem gradação. Ou somos leais ou não somos. Todos aqui somos obrigados a ser leais com o comandante Chávez, sua palavra, seu pensamento e sua ação", dis­se Cabello, que foi apresentado para discursar como "o tenente radical chavista Diosdado Cabel­lo". "A lealdade não pode ser cô­moda e praticada por conveniên­cia."

O presidente da Assembleia Nacional, que retornou de Cuba no domingo, também disse que Chávez continua se recuperan­do. Desde a cirurgia, em 11 de de­zembro, não foram divulgadas imagens, vídeos e áudio do presi­dente. Por meio dos escassos boletins de saúde divulgados pelo governo, sabe-se que Chávez so­freu uma infecção pulmonar após a operação, que já foi con­trolada, e ainda apresenta um quadro de insuficiência respiraória. "Ele melhora a cada dia, dá instruções e está preocupado com o povo", disse.

Os manifestantes chavistas concentraram-se desde cedo em cinco pontos de Caracas, provo­cando problemas no trânsito ao longo do dia. Os ativistas se reu­niram para um comício dos prin­cipais líderes chavistas no bairro de 23 de Enero.