Título: Série de revelações da imprensa constrange Santa Sé
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Fonte: O Estado de São Paulo, 15/02/2013, Vida, p. A12
A renúncia de Bento XVI foi inesperada. Mas, alguns dias depois, destapou uma onda de revelações sobre questões que a Santa Sé havia mantido em sigilo nos últimos meses sobre as condições de saúde do papa e também sobre corrupção e traições.
Ontem, jornais italianos revelaram que, em uma viagem ao México em abril, o papa caiu e bateu a cabeça, que teria sangrado muito. Na ocasião, o incidente foi abafado, e o Vaticano não revelou qualquer detalhe do caso à imprensa, nem mesmo aos repórteres que viajavam com Bento XVI.
Diante da informação, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, foi obrigado ontem a confirmar o acidente. Mas desmentiu a versão do jornal de que a queda contribuiu para a decisão do papa de renunciar. .
"O incidente não afetou nem a viagem nem tem qualquer papel na decisão do papa", disse. O problema é que fora o próprio jornal oficial da Santa Sé, o Vosservatore Romano, que indicou que a viagem ao México havia sido fundamental na decisão do papa de renunciar. Mas muito mais por causa do cansaço do que por acidente.
Marca-passo. Anteontem também a imprensa italiana revelou que o papa, com 85 anos, havia passado por uma intervenção médica para trocar uma bateria no marca-passo. Lombardi foi obrigado a confirmar a cirurgia, jamais informada ao público. Mas se recusou a dar a data da intervenção, apenas citando que teria ocorrido no fim de 2012. De quebra, teve de confirmar que a informação de que ele teve de receber o marca-passo, após um ataque sofrido quando ainda era cardeal e que jamais foi revelado.
Mas a mais séria das revelações se refere ao escândalo de corrupção dentro do Vaticano. Segundo uma revista italiana, o papa tomou a decisão de renunciar após conhecer o resultado de parte da investigação que havia ordenado para determinar como documentos pessoais dele acabaram nas mãos de jomalistas italianos e que escancararam a corrupção na Cúria.
Na época, o caso foi apresentado como um ato isolado de um mordomo que queria expor a corrupção e alertar ao papa de coisas que ele não saberia. Mas uma investigação mais profunda entregue a Bento XVI no dia 17 de dezembro revelaria que a trama era bem maior.
“O relatório trazia uma imagem imperdoável da Cúria Romana”, diz a revista. O resultado mostrou uma resistência generalizada contra as mudanças e à maior transparência exigida pelo papa. O roubo dos documentos poderia ter envolvido até 30 pessoas. Bento XVI teria ficado tão impressionado com o resultado da investigação que apenas comentou o caso com seu irmão. A revista aponta como isso acelerou sua decisão de renunciar.
Outro segredo bem guardado: a casa onde ele vai morar no Vaticano após a renúncia já estava selecionada pelo próprio papa desde outubro, quando uma ordem de freiras foi retirada do local e uma reforma foi iniciada. Poucos sabiam para