Título: PSB deve entregar cargos se quiser Presidência, diz Ciro
Autor: Lopes, Eugênia ;Domingos, João
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/02/2013, Nacional, p. A6

Ex-ministro voltou a criticar Campos e o que chamou de "banquete fisiológico" e "clientelista" entre as siglas da base aliada ao governo

O ex-ministro Ciro Gomes disse ontem que se o PSB pretende lan­çar candidatura própria à Presi­dência no ano que vem deveria entregar os cargos que ocupa no governo da presidente Dilma Rousseff e mostrar à sociedade brasileira as falhas da atual admi­nistração. Ele voltou a criticar a articulação do presidente do seu partido e governador de Pernam­buco, Eduardo Campos, cotado para disputar o Planalto em 2014.

"Como alguém quer ser presi­dente da República sem percor­rer o País, expondo suas ideias, mostrando os erros e o que pode ser feito. Se o cara é candidato contra a reeleição da Dilma, en­tão tem que sair do governo. Sou um velho que se mantém preso às suas crenças na lealdade, coe­rência, e na decência", afirmou Ciro, após uma palestra para em­presários em Salvador.

Ele criticou também o que cha­mou de "banquete fisiológico, clientelista, quando não corrup­to" que existiria entre os parti­dos da base aliada ao governo. "Sempre defendi candidatura própria. Se nós queremos ter uma candidatura própria temos que dizer por que e agora, por­que o povo não vai entender que a gente fique comendo migalhas debaixo da mesa do banquete do PT-PMDB e seis meses antes (da eleição) saia do governo."

O ex-ministro abriu uma crise no PSB ao declarar no sábado que Campos não está preparado para comandar o País. Ciro ressaltou ontem que defende a permanên­cia de Dilma na Presidência por­que a provável candidata do PT "é muito melhor" as outras opções "já postas".

Ele ponderou, no entanto, que : não quis desmerecer as eventuais candidaturas de Campos (PSB), de Aécio Neves (PSDB) e de Mari­na Silva (sem partido). Para Ciro, esses eventuais candidatos, até então, não apresentaram ideias ou projetos para o desenvolvi­mento do País.

"Genericamente". Embora o ir­mão tenha reiterado críticas na capital baiana, o governador do

Ceará, Cid Gomes (PSB), assegu­rou ontem que ele não fez "ne­nhum gesto" de agressão a Cam­pos quando disse que o governa­dor pernambucano "não tem proposta" para o País. "Conver­sei com o Ciro hoje (ontem). O que ele me disse que não fez ne­nhum gesto de agressão ao Eduardo.

Disse que tem preocupações com projetos para o Brasil - e fa­lou isso genericamente", afir­mou Cid, após um encontro de duas horas com a presidente Dil­ma Rousseff no Palácio do Planal­to. "O Eduardo me disse, também brincando, que a mãe dele dizia que dois só brigam quando os dois querem. Quando um não quer não tem briga. E ele jamais vai brigar com o Ciro. Então, eu espero que essa questão seja ou esteja superada."

Para o governador do Ceará, a audiência com Dilma não pode ser interpretada como um gesto para o enfraquecimento da pre­tensão de Campos. " Isso é procu­rar chifre em cabeça de cavalo. Eu sou governador de um Estado, a Dilma é presidente da República, nós temos muitas parcerias."

Economia. Apesar dos elogios a Dilma, na palestra em Salvador, Ciro Gomes também fez críticas à política econômica do governo.