Título: BNDES desembolsa R$ 20 bi no 1º bimestre, afirma Coutinho
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Fonte: O Estado de São Paulo, 28/02/2013, Economia, p. B1

Dados de fevereiro ainda não foram fechados, mas em janeiro expansão foi de 43% em relação a igual mês de 2011

CORRESPONDENTE NOVA YORK

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) começou o ano em ritmo forte de desembolsos, com volume no primeiro bimestre chegando a R$ 20 bilhões, segundo seu presidente, Luciano Coutinho. Ele preferiu não falar em meta para 2013, mas frisou que a intenção do BNDES é priorizar linhas para financiar investimento de longo prazo. Ainda segundo Coutinho, o volume de recursos liberados ao longo do ano dependerá da demanda do mercado.

Segundo ele, em janeiro, o volume de desembolso foi 43% maior do que no mesmo mês de 2012, somando R$ 10,1 bilhões. Em fevereiro, os dados ainda não foram fechados, mas números preliminares indicam que o volume soma R$ 10 bilhões até agora. "Considerando que é um mês mais curto e com carnaval, é um volume expressivo", disse. Em fevereiro do ano passado, foram R$ 8,1 bilhões.

Descontando efeitos sazonais, Coutinho disse que os primeiros números do BNDES de 2013 sinalizam que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) está se recuperando. "A venda de caminhões, ônibus e máquinas continua no impulso que veio de novembro e dezembro."

Além da expansão dos desembolsos, Coutinho destacou que o ritmo de consultas ao banco por parte de empresas interessadas em tomar empréstimos continua forte, no mesmo nível dos três últimos meses de 2012.0 setor de logística, disse, é um dos que mais têm feito consultas.

Coutinho preferiu não citar metas de desembolsos do BNDES previstos para 2013.0 orçamento está sendo revisto e a ideia é priorizar a formação bruta de capital, que são recursos de mais longo prazo para financiar o investimento. Com isso, o banco pretende enxugar linhas de mais curto prazo, como capital de giro. Em 2012, o banco liberou R$ 156 bilhões, dos quais se estima que R$ 127 bilhões foram para investimento.

Capitalização. Sobre a capitalização do banco prevista para o segundo semestre, que pode chegar a R$ 8 bilhões, como antecipou ontem o Estado, Coutinho fez apenas comentários genéricos. Segundo ele, o BNDES não tem urgência para ser capitalizado, pois seu balanço está "sólido" e o nível de Basiléia (de cerca de 15%, ante 11% das regras do Banco Central) é adequado.

"Essas tratativas são normais. Como o banco paga dividendos ao Tesouro, ao pagá-los, o banco deixa de se capitalizar. É um procedimento normal, o banco e o Tesouro conversarem a respeito desse tema", afirmou.

Coutinho recebeu o prêmio "Líder Global de Infraestrutura do Ano" no 6º Fórum de Liderança em Infraestrutura.