Título: Com Índia e China, economia deverá somar 40% do PIB mundial em 2050
Autor: Bramatti, Daniel ; Formenti, Lígia
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/03/2013, Nacional, p. A4

As economias de Brasil, China e Índia somadas devem ultrapas­sar em 2020 o grupo formado por Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Ca­nadá - representantes do G7, que reúne as maiores economias desenvolvidas do mundo. As pro­jeções fazem parte do Relatório de Desenvolvimento Humano de 2013, publicado pelo Progra­ma das Nações Unidas para o De­senvolvimento (Pnud).

Em 1950, o balanço de forças era outro: os três emergentes re­presentavam io% do PIB global, enquanto as seis nações desen­volvidas respondiam por 50%. A partir da inversão de curvas pre­vista para 2020, a tendência é que Brasil, China e Índia deixem o G7 cada vez mais para trás - a crise na Europa deve contribuir para a queda. Em 2050, os três juntos devem chegar a 40% do PIB global. O valor representa o dobro do estimado para os paí­ses desenvolvidos.

Esse movimento representa­ria a "ascensão do Sul", que dá nome ao relatório deste ano. Além de apresentar os novos nú­meros do IDH para 2013, a publi­cação faz uma longa análise da recomposição de forças econô­micas entre o chamado Sul glo­bal, que compreende as nações emergentes e em desenvolvi­mento, e o Norte, representado pelos países desenvolvidos. O tom é de elogio aos modelos de desenvolvimento de China, Ín­dia e Brasil.

Além de responder por uma fatia cada vez mais robusta da economia global, o Sul apresen­ta uma parcela cada vez mais ex­pressiva do mercado consumi­dor. Em 1990, ele abrigava três entre dez pessoas de classe mé­dia do mundo. Em 2010, já era. seis. A expectativa do Pnud é de que o número passe para oito en­tre dez em 2030. Os países do Sul também estariam mais bem pre­parados para atender a esse mer­cado, porque já teriam desenvol­vido tecnologias e produtos dire­cionados a ele.

Rapidez. O otimismo da agên­cia da ONU com relação ao Sul também se reflete na esfera so­cial. Segundo a publicação, nun­ca antes o crescimento de rendi­mentos da população se deu de forma tão rápida e atingiu tantas pessoas. Enquanto a Grã-Breta­nha levou 150 anos para dobrar os rendimentos da população, os EUAprecisaram de 50 anos e Chi­na e índia, somente 20. "O cresci­mento do Sul não tem preceden­tes em velocidade e escala."

O relatório também faz uma série de recomendações para acomodar um Sul mais forte. En­tre elas, a reforma de organis­mos internacionais para aumen­tar a presença de países como Brasil, China e Índia. "Muitas das atuais instituições e princí­pios de governança internacio­nal foram desenhados em um mundo muito diferente do atual. Uma consequência é que eles sub-representam o Sul", diz o texto, "Para sobreviver, as insti­tuições internacionais precisam ser mais representativas". A postura vai ao encontro de interes­ses do Brasil, que tenta consguir um assento no Conselho de Segurança da ONU.

Por outro lado, o Pnud defen­de que as grandes economias do Sul contribuam com a resolução de problemas de nações menos desenvolvidas. "O Sul está em uma posição de influenciar e até remodelar velhos modos de de­senvolvimento com mais recur­sos e lições aprendidas em casa." O que está em jogo é o aumen­to dos recursos fornecidos sobre­tudo pelos três maiores emergen­tes para o desenvolvimento de países pobres na África, Ásia e América Latina, na chamada coo­peração Sul-Sul. Além de atua­rem em projetos que transferem conhecimento e tecnologia, eles fornecem créditos a exportação e constroem infraestruturas. É o caso do Brasil. Desde 2008, o País forneceu por meio do BNDES cer­ca de R$ 16 bilhões em créditos de exportação para países do Sul e gastou R$ 3,2 bilhões com coo­peração entre 2005 e 2009.