Título: Petrobras desiste de vender refinaria dos EUA, alvo de investigação do TCU
Autor: Valle, Sabrina
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/03/2013, Economia, p. B1

A Petrobras desistiu de vender a refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), que é alvo de investigação do Tribunal de Contas da União (TCU). A investigação foi deflagrada depois de o "Broadcast", serviço em tempo real da "Agência Estado", revelar que a Petrobras havia comprado a refinaria por quase US$ 1 bilhão a mais que o valor de mercado da empresa. A presidente da Petrobras, Graça Foster, disse ontem que será necessário investir na refinaria para que seja valorizada e tenha melhor retorno na venda.

A refinaria de Pasadena foi comprada em 2005 pela Astra/ Transcor, uma trading belga, por US$ 42,5 milhões. A mesma refinaria foi vendida à Petrobras no ano seguinte por US$ 1,18 bilhão, embora valha no mercado um décimo do que foi pago. Graça também revelou que pode rever a oferta de outros ativos. Segundo fontes do Broadcasty também a refinaria da Petrobras em Okinawa, no Japão, foi um mau negócio. A Petrobras comprou 87,5% da refinaria em 2008, adquirindo o resto depois: "Saiu a refinaria de Pasadena (da lista), existem outros que estão na iminência de sair".

Segundo Graça, para entrar ou sair do plano de desinvestimentos (venda de ativos) os projetos passam por escrutínio e uma equipe especializada precisa provar se vale a pena manter a venda ou suspendê-la. No balanço do quarto trimestre, a Petrobras lançou uma baixa contábil de R$464 milhões referente à Pasadena, valor, portanto, que já reconhece como perdido.

A Petrobras previa no plano de negócios quinquenal divulgado no ano passado desinvestir US$ 14,8 bilhões, sendo parte levantada com operações financeiras que de fato foram realizadas. Agora, prevê vendas de US$ 9,9 bilhões, ou seja, US$ 4,9 bilhões a menos. Mas Graça informou que no ano passado foram desinvestidos cerca de US$4 bilhões.

Graça também confirmou que estão à venda ativos da Petrobras na Argentina. Ela não fez comentários sobre a participação em 175 blocos exploratórios no Golfo do México. Anteriormente, dissera que poderiam render até US$ 6 bilhões.

Refino no Brasil. Ela também fez atualizações sobre três projetos de refino no Brasil que provocaram polêmica pelo orçamento muito acima do preço de mercado. A refinaria Abreu e Lima (Pernambuco) teve o orçamento elevado em US$ 250 milhões, para US$ 17,35 bilhões.

A refinaria deveria ter a PDV-SA como sócia (40%), mas a empresa venezuelana nunca fez aportes. Graça informou que pretende retomar as negociações.

A Petrobras manteve na geladeira o projeto das refinarias Premium I e II, obras de grande apelo político, projetadas para serem construídas no Maranhão e no Ceará. Mas Graça negou que as refinarias tenham "subido no telhado": "Se teve uma coisa que aprendemos em 2012 foi a importância das novas refinarias".