Título: Lula diz que financiamento privado na eleição deveria ser crime inafiançável
Autor: Peron, Isadora
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/03/2013, Nacional, p. A6

Ex-presidente apresenta proposta ao defender que campanhas sejam pagas exclusivamente com dinheiro público

Ao participar de um debate com empresários ontem em São Pau­lo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o financia­mento público exclusivo de cam­panhas eleitorais e afirmou que a doação de empresas privadas a candidatos deveria ser considera­da "crime inafiançável"."

"Eu sou defensor do financia­mento público de campanha co­mo forma de moralizar a políti­ca. E, mais ainda, eu acho que não só se deveria aprovar o finan­ciamento público de campanha como tomar crime inafiançável o financiamento privado", afir­mou o ex-presidente durante um evento promovido pelo jor­nal Valor Econômico.

Essa ideia já havia sido defendi­da por Lula no fim de fevereiro, em ato do PT em Fortaleza. O par­tido tem levantado a bandeira da reforma política, com foco no fi­nanciamento público de campa­nha, por considerar que essa se­ria uma maneira de evitar que es­cândalos como o mensalão vol­tem a acontecer. Apesar de o Su­premo Tribunal Federal ter julga­do que o caso consistiu em um esquema de compra de votos em troca de apoio ao governo Lula no Congresso, o PT afirma que o que houve foi caixa 2 para paga­mento de dívidas de campanha.

O ex-presidente também de­fendeu a necessidade da refor­ma política, mas se mostrou céti­co quanto à possibilidade de o Congresso aprová-la, mesmo com a possibilidade de um proje­to que trata do assunto entrar na pauta nas próximas semanas. "Eu não acredito que o Congres­so vá votar a reforma porque as pessoas que estão lá querem con­tinuar com o status quo que têm hoje." Para resolver o impasse, Lula voltou a propor a elabora­ção de uma constituinte exclusi­va para discutir o assunto.

Democracia. Num balanço com perspectiva histórica, o ex- presidente afirmou que a alter­nância de poder entre PSDB e PT ajudou a consolidar a demo­cracia brasileira. Em um raro momento de trégua com os tu­canos, chegou a dizer que a eleição de Fernando Henri­que Cardoso em 1994 "foi um avanço para a democracia".

Lula evitou ainda fazer críti­cas ao governador de Pernam­buco e presidente do PSB, Eduardo Campos, que pode­ria deixar a base aliada para concorrer à Presidência. "To­do brasileiro com mais de 35 anos tem o direito de se candi­datar", disse ao ser questiona­do sobre o pernambucano.