Título: DESEMPREGO EM SP É O MENOR EM QUATRO ANOS
Autor:
Fonte: O Globo, 24/02/2005, Economia, p. 25
A taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo caiu em janeiro pelo nono mês consecutivo, mas a renda do trabalhador também continua em queda. Segundo pesquisa da Fundação Seade e do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), a taxa recuou de 17,1% em dezembro para 16,7% da População Economicamente Ativa (PEA) em janeiro. O número de desempregados chegou a 1,659 milhão. Foi o menor desemprego registrado desde janeiro de 2001, quando a taxa ficara em 16,3%.
No entanto, a renda do trabalhador continua caindo. Segundo a pesquisa, o rendimento médio do trabalhador em São Paulo caiu de R$1.060 em dezembro de 2003 para R$1.013 em dezembro de 2004 (4,4% a menos). O salário médio real nunca foi tão baixo em um mês de dezembro. Foi o pior desempenho desde 1985. Em dezembro de 1994, início do Plano Real, o salário médio real era de R$1.430. O maior, desde então, foi o de 1996, de R$1.539. A partir de então, o valor só diminuiu.
Janeiro atípico com vagas na indústria e no comércio
Janeiro foi considerado um mês atípico na Região Metropolitana de São Paulo, com a redução do desemprego e o aumento do número de trabalhadores na indústria e no comércio. O setor de serviços eliminou 46 mil vagas e o de construção civil e emprego doméstico fechou 64 mil postos de trabalho. Já a indústria abriu 31 mil postos e o comércio criou outras 24 mil vagas. O crescimento do emprego no setor industrial foi de 2%, o maior de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 1985, em um mês de janeiro.
O Dieese explica que, apesar de o número de contratações ser inferior ao de fechamento de vagas, a taxa de desemprego caiu porque um grande número de pessoas (114 mil) deixou de procurar emprego, diminuindo o universo da PEA. Esta, que era de 10,48 milhões em dezembro, caiu para 9,34 milhões, justamente por causa da saída de pessoas do mercado de trabalho. Entre janeiro de 2004 e janeiro deste ano, 209 mil pessoas conseguiram ocupação na região metropolitana, deixando a condição de desempregadas.
¿ A redução de vagas em janeiro é normal, pois são eliminados empregos temporários criados para o Natal. A novidade foi a criação de vagas na indústria e no comércio. Sem este movimento atípico, o desemprego certamente seria maior. Mas a recuperação na região metropolitana ainda é lenta e o número de desempregados é muito alto ¿ disse Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese.
Expectativa é de aumento da desocupação em abril
Lúcio disse que a taxa de desemprego em São Paulo deve voltar a subir em abril, quando os trabalhadores que deixaram de procurar emprego nas férias voltarão ao mercado em busca de trabalho. Mas a taxa ¿ que, diferentemente do IBGE, reflete também o trabalho precário (quem fez bico, mas procurou emprego fixo) ¿ pode não subir muito, se houver crescimento sustentado da economia. Segundo o diretor do Dieese, o câmbio e os juros, no entanto, podem inibir a criação de vagas.
Na prática, todos os setores da economia aumentaram o total de empregados nos últimos 12 meses. Na indústria, a alta foi de 4,7% e o número de funcionários chegou a 1,614 milhão. No comércio, a elevação foi de 8,5% e o total de trabalhadores atingiu 1,390 milhão. No setor de construção civil e emprego doméstico, classificado como ¿outros¿, a alta foi de 2,6% e o total chegou a 910 mil.
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Desocupação entre jovens é quase o dobro
40% ganham até 1 salário-mínimo
Apesar de superarem o fantasma do elevado desemprego na sua faixa etária ¿ de 18% entre pessoas de 15 a 24 anos, quase o dobro da média nacional de 2003 (9,7% pelo IBGE) ¿ as garçonetes Gerlaine Souza, de 17 anos, e Selma Silva, de 20, ainda são um retrato das dificuldades que marcam os jovens no mercado de trabalho. Ambas têm baixa escolaridade ¿ Gerlaine completou o ensino fundamental e Selma estudou até a 5ª série ¿ e recebem um salário-mínino.
Não estão sós, mostra o estudo "Os Jovens no Mercado de Trabalho no Brasil", divulgado ontem pelo Instituto de Economia da UFRJ em parceria com a empresa Gelre, especializada em relações humanas no trabalho. Na verdade, 40% dos jovens trabalhadores recebiam até um salário-mínimo em 2003 e boa parte deles deixou a escola, por não poder conciliar estudo e trabalho.
Daí os jovens manterem ocupações precárias, com baixos salários, longa jornada e informalidade. O estudo mostra que o desemprego entre jovens é fenômeno mundial. Itália e Espanha, por exemplo, têm altas taxas entre 15 a 24 anos. O que diferencia o Brasil dos países desenvolvidos é a forma precária como os jovens estão no mercado, diz João Saboia, autor do estudo. Ele indica como saídas melhorar a qualidade de vida das famílias pobres e o nível do ensino.