Título: CORÉIA DO SUL NEGA PLANOS DE VENDER DÓLARES
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Fonte: O Globo, 24/02/2005, Economia, p. 28
O dólar registrou uma ligeira recuperação ontem nos mercados internacionais, depois de a Coréia do Sul ter desmentido que planejava vender a moeda americana para diversificar suas reservas em moeda estrangeira, a quarta maior do mundo. Também pesou uma pesquisa mostrando que os empresários alemães estão menos confiantes em relação à principal economia da zona do euro.
A moeda única européia recuou 0,34%, para US$1,3211, chegando a ser negociado abaixo de US$1,32 durante o dia. A alta de 0,1% do índice de preços ao consumidor nos EUA ¿ contra estimativa de 0,2% ¿ acabou dando novo fôlego ao euro, já que, com a inflação sob controle, os juros americanos não devem ter uma elevação expressiva. A alta da taxa básica beneficia o dólar.
Japão também diz que não vai diversificar reservas
Logo pela manhã, o Banco Central (BC) da Coréia do Sul negou que estivesse planejando vender dólares para diversificar suas reservas, estimadas em US$200 bilhões. Segundo o BC, esses rumores eram falsos.
¿ Há muitos anos que estamos diversificando nossas reservas em moeda estrangeira ¿ disse o diretor geral da Secretaria de Finanças Internacionais do Ministério da Economia, Choi Joong-Kyung. ¿ Isso não deveria se tornar notícia de uma hora para outra, e a reação dos mercados mostra como isso é irracional.
Um representante do Ministério das Finanças do Japão também afirmou que o país não pretende diversificar suas reservas. Segundo os analistas, se os países asiáticos começarem a se desfazer dos títulos do Tesouro americano, os EUA terão dificuldade para financiar seu déficit fiscal, podendo provocar uma recessão mundial.
O dólar também ganhou com o recuo do índice de confiança empresarial na Alemanha, de 96,4 em janeiro para 95,5 este mês, o que mostra dúvidas sobre a recuperação da economia alemã. Outro fator foi a queda de 59,9% no superávit comercial do Japão, para 200,76 bilhões de ienes (US$1,9 bilhão). Com isso, o dólar avançou de 104,09 ienes para 104,85 ienes. A moeda americana também ganhou terreno frente à libra, ao franco suíço e ao dólar canadense.
No mercado brasileiro, o dólar seguiu outra tendência, fechando em baixa de 0,19%, cotado a R$2,594. A queda não foi maior devido ao leilão de 40 mil contratos de swap cambial pelo BC (na prática, a autoridade monetária é compradora de dólares no mercado futuro), que retirou US$1,9 bilhão do mercado. Além disso, o BC comprou dólares a R$2,587. O risco-Brasil recuou 1,73%, para 396 pontos centesimais.
Secretário diz que Tesouro estuda recompra de C-Bond
Graças ao apetite dos investidores estrangeiros por ações de empresas brasileiras, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu 1,71% ontem. Até o dia 20 de fevereiro, os estrangeiros trouxeram à Bovespa o equivalente a R$2,17 bilhões.
O mercado também foi influenciado pela declaração do secretário-adjunto do Tesouro Nacional, José Antônio Gragnani, à agência Dow Jones, de que o Tesouro estuda recomprar o C-Bond no mercado externo. O Tesouro tem direito a recolher os títulos em abril e outubro se os papéis estiverem cotados por pelo menos 100% de seu valor de face, mas precisa avisar ao mercado com um mês de antecedência.
O C-Bond vem operando acima dos 100% e a data máxima de aviso (15 de março) se aproxima. O papel recuou 0,05%, cotado a 102,12% do seu valor de face.