Título: Democracia fora da pauta, diz senador
Autor:
Fonte: O Globo, 24/02/2005, O Mundo, p. 30
Os problemas da democracia na Rússia não têm por que frear a colaboração com os EUA em matéria de segurança e não serão o tema central da reunião de cúpula entre Vladimir Putin e George W. Bush em Bratislava, sustenta Mikhail Marguelov, presidente da Comissão de Assuntos Internacionais do Senado russo.
¿ Com uma administração republicana em Washington, as relações entre os EUA e a Rússia não vão piorar, ainda que a situação da democracia piore aqui. Bush não é Jimmy Carter e os direitos humanos não são o tema central para ele ¿ disse Marguelov, referindo-se ao ex-presidente dos EUA, que em seu governo nos anos 70 foi um defensor dos direitos humanos.
Na primavera de 2001, Putin e Bush se viram pela primeira vez em Liubliana e fizeram amizade. O 11 de Setembro abriu novas possibilidades de cooperação na luta antiterrorista. Ainda assim, quase quatro anos depois, o balanço é de oportunidades perdidas.
¿ Não há contra-indicações para fortalecer o vínculo entre Rússia e os Estados Unidos, mas tampouco há estímulos ¿ opinou Marguelov. ¿ A oportunidade de transformar a relação numa aliança não foi aproveitada, porque em ambos os lados há muitos veteranos da Guerra Fria ativos.
As realizações reais nestes anos são escassas, ele reconhece. No campo da não proliferação, não se evitou que aparecessem novos Estados nucleares como a Coréia do Norte. No diálogo energético, os EUA ¿têm mais interesse no controle dos recursos globais do que em diversificar suas matrizes energéticas¿. Marguelov afirma ainda que na luta antiterrorista, o ¿Ocidente continua dividindo os terroristas em próprios e alheios¿ e ¿a colaboração é insuficiente para uma luta eficaz¿. Para ele, surgiram outras contradições, como na Ásia Central, onde a presença americana contribui para aumentar a própria segurança russa, mas limita a influência de Moscou na região.
¿ Até certo ponto a culpa é nossa porque não preenchemos o vazio político e militar na Ásia Central ¿ disse ele.
Marguelov acredita que o Iraque é a maior ameaça à segurança internacional e que se o país se fragmentar e surgir um Estado curdo, podem ¿explodir¿ também Síria e Turquia.