Título: MERCADO REAGE À ATA COM EUFORIA: BOLSA SOBE 4,55% E DÓLAR, 1,50%
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Fonte: O Globo, 25/02/2005, Economia, p. 27
O mercado financeiro reagiu com euforia à ata do Copom, indicando que o ciclo de alta dos juros pode estar próximo do fim. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) disparou 4,55% ontem, na maior alta percentual diária desde 11 de maio de 2004. O Índice Bovespa terminou o dia em 28.436 pontos, um novo recorde histórico. O raciocínio é que, se a bolsa já vinha subindo com força mesmo com juros crescentes, esses ganhos serão mantidos com a possibilidade de uma parada técnica na alta.
No mercado futuro de juros, que negocia contratos projetando a taxa dos próximos meses, a crença é que a Selic comece a cair no último trimestre do ano. O Depósito Interfinanceiro com vencimento em janeiro recuou de 19% para 18,72% anuais.
¿ Os indicadores mostram que a postura do Copom poderá ser menos rígida e existe uma boa probabilidade de que haja mais uma alta de 0,25 ponto percentual em março, seguida de estabilização ¿ disse o economista-chefe da Gap Asset Management, Alexandre Maia.
O dólar à vista fechou a R$2,633 para venda, em alta de 1,50%, a maior em um dia desde 31 de maio do ano passado. A valorização foi atribuída ao chamado stop loss, quando as instituições se desfazem de suas posições para cumprir limites de exposição ao risco. Os bancos identificaram elementos que, em tese, podem pressionar o dólar, como a alta do petróleo e os leilões nos quais o Banco Central (BC) compra dólares nos mercados à vista e futuro. Na última quarta-feira, o BC retirou do mercado futuro US$2 bilhões, em um leilão de contratos de swap cambial. Ontem, mesmo com a alta do dólar, o BC voltou a comprar dólares no mercado à vista, a R$2,627.
Economista diz que juros ainda devem subir até abril
Além disso, o possível fim do processo de elevação dos juros do país reduz a entrada de recursos externos no país e, conseqüentemente, a oferta da moeda. Alguns economistas, no entanto, não vêem motivo para tanto otimismo com a ata.
O economista Joaquim Eloi Cirne de Toledo, da USP, por exemplo, descarta o fim do ciclo de alta da Selic. Por dois motivos: a ata do Copom mostra que o número de produtos que tiveram os preços elevados subiu de 68% para 73,6% entre dezembro e janeiro; e o governo dá indicações de que manterá uma política fiscal ainda mais expansionista este ano. Nesse cenário, diz ele, o Copom terá de elevar a Selic pelo menos até abril ¿ sua aposta é de 0,50 ponto percentual a cada reunião ¿ havendo risco de a taxa superar a casa de 20% ao ano.
Para Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Schahin, houve exagero:
¿ O mercado tem razão em acreditar que o processo de elevação dos juros esteja perto do fim, mas acredito que a reação dos mercados foi exagerada. Não descarto a possibilidade de o BC endurecer um pouco o discurso em novas oportunidades no curto prazo, para conter esse otimismo.