Título: BC INDICA QUE CICLO DE ALTA DE JUROS ESTÁ PERTO DO FIM
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Fonte: O Globo, 25/02/2005, Economia, p. 27
O Banco Central deixou de lado o tom alarmista dos últimos meses e agora avalia que conseguirá atingir a meta de inflação de 5,1% neste ano. Mas a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, indica que a alta dos juros continuará com um sétimo aumento consecutivo em março e, a partir daí, podem ficar estáveis por um tempo ¿suficientemente longo¿.
Na semana passada, diz a ata, o aumento dos juros de 18,25% para 18,75% ao ano pôs a taxa básica próxima do nível considerado ideal. Os diretores do BC acreditam que a inflação dos próximos meses será beneficiada pela queda nos preços dos alimentos, mas seria preciso pelo menos mais uma tacada.
¿Embora essa decisão (aumento para 18,75%) já traga a taxa de juros básica para um nível próximo ao que, na avaliação do Copom, promoverá a convergência da inflação para a trajetória das metas, o Comitê entende que ainda não será possível dar por concluído, com esse movimento, o processo de ajuste iniciado em setembro de 2004¿, diz a ata da reunião.
No texto, o BC afirma que ¿o número de etapas adicionais do processo de ajuste dependerá da confirmação pelos dados do cenário benigno que começa a se delinear¿.
O mercado estima um IPCA de 5,7% em 2005 ¿ acima da meta de 5,1% ¿ o que exigiria alta de mais 0,25 ponto na Selic em março. Para o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, a ata indicou uma transição, com o fim do ciclo de altas dos juros, que só devem cair em agosto ou setembro.
¿ A taxa básica de juros deverá ser mantida inalterada por diversos meses (acreditamos que uma redução poderia ocorrer somente em meados/fim do terceiro trimestre) ¿ assinalou Barros, em relatório aos clientes do banco.
Meirelles: `Ata é realista, não é otimista nem pessimista¿
Ontem, em evento em São Paulo, o presidente do BC negou que a ata indique o fim da alta dos juros:
¿ A ata é realista, não é otimista nem pessimista. É auto-explicativa e não tem mensagem subliminar. O mercado chega às suas conclusões, mas é responsabilidade de cada analista.
As tarifas não estão pressionando a inflação, diz a ata. A previsão de reajuste de energia este ano ficou em 9,5%. Mas o Copom elevou de 7,7% para 8,7% a previsão de alta de telefonia fixa. Uma das preocupações do BC está na quantidade de produtos e serviços com aumento de preços. Em novembro e dezembro, 68% dos itens do IPCA subiram. Este número, chamado de índice de difusão, subiu para 73,6% em janeiro.
Na ata, o BC se defende das críticas: ¿É inegável que reduções nos gastos públicos reforçam a ação da política monetária no controle da inflação e que o aprofundamento no processo de melhora nas contas públicas abre ainda mais espaço para a redução das taxas de juros reais da economia no médio prazo. Mas isso não significa que a atual postura de política fiscal torne ineficazes movimentos dos instrumentos convencionais de política monetária no controle da inflação¿.