Título: Parceria entre sócios da CSN será desfeita depois de quarenta anos
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Fonte: O Globo, 01/03/2005, Economia, p. 24
A sociedade de aproximadamente quatro décadas entre as famílias Steinbruch e Rabinovich em grandes conglomerados têxtil e siderúrgico caminha para o fim. A família Steinbruch comprará a fatia de seu sócio na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e na Vicunha Têxtil, segundo nota divulgada ontem ao mercado.
Sem fornecer detalhes, as partes informaram que os Steinbruch vão adquirir ¿o correspondente à quase totalidade das ações representativas do capital votante da Vicunha Steel¿, que engloba a CSN, presidida por Benjamin Steinbruch. Cada grupo detém 50% do capital da holding.
Para a analista Elaine de La Rocque, da corretora BES Securities, essa transação deve chegar a aproximadamente US$ 2 bilhões, valor que corresponde à fatia total da família Rabinovich. A grande dúvida, acrescentou ela, é como esse capital será levantado.
¿ Mas é positivo (o acordo) porque a saída do Rabinovich, mesmo que o (Benjamim) Steinbruch já esteja no comando (da CSN), acaba com qualquer risco de engessar algumas operações ¿ afirmou.
Operação será detalhada hoje, com resultado da CSN
Já para o analista de siderurgia da ARX Capital Management, Bernardo Lobão, é difícil estimar o montante da transação, mas o valor de mercado da participação dos Rabinovich na empresa é de cerca de R$ 4,4 bilhões. Como é preciso deduzir o valor da dívida contraída na época do descruzamento de ações com a Vale do Rio Doce (em 2001, a CSN vendeu suas ações na Vale para Previ e Bradespar; e Previ e Bradespar saíram da CSN), o valor cai para R$ 3,4 bilhões, ou o equivalente a US$ 1,3 bilhão.
¿ Não surpreendeu o mercado a saída dos Rabinovich das empresas. Mas especulava-se que o comprador seria a Gerdau. O fato de ser o próprio Steinbruch, contudo, não decepcionou o mercado ¿ disse o analista, ao afirmar que os compradores deverão usar os dividendos da CSN para quitar empréstimos que seriam contraídos para comprar a participação dos Rabinovich.
Detalhes da operação só serão divulgados hoje, junto com os resultados financeiros da CSN em 2004. No acumulado até setembro, a empresa teve lucro líquido de R$ 1,45 bilhão.
A CSN é um dos maiores complexos siderúrgicos da América Latina, com capacidade de produção de 5,8 milhões de toneladas anuais de aço bruto. As ações ordinárias da CSN fecharam com alta de 0,44%, a R$ 67,20.
No negócio têxtil, o acordo foi semelhante, e a família Steinbruch também passará a ser o único controlador da Vicunha Participações, dona da Textilia, que é a acionista majoritária da Vicunha Têxtil, com 82,26% do capital votante.