Título: Sair do limbo
Autor:
Fonte: O Globo, 26/02/2005, Opinião, p. 6
A necessidade de se estabelecer uma parceria entre a universidade e as empresas, em nome do desenvolvimento tecnológico, é tema antigo de discussão, que até hoje não produziu avanços práticos. Praticamente não se faz pesquisa científica na indústria; enquanto a universidade pública parece operar num limbo, distante das necessidades do país, freqüentemente mais ocupada em defender posições corporativistas do que em gerar soluções tecnológicas e registrar patentes.
A Lei de Inovação Tecnológica, aprovada em novembro no Senado, e cuja origem está ainda no governo anterior, representa um importante esforço para modificar esta situação, facilitando e estimulando acordos entre empresas e universidades ou centros de pesquisa. Seu principal mérito é tratar da questão pragmaticamente, inclusive concedendo incentivos financeiros diretos aos pesquisadores.
Se tiver o êxito que se espera, a nova legislação fará com que as universidades públicas passem a lidar diretamente com a realidade brasileira. O que não significa, de forma alguma, abandonar a pesquisa básica, na fronteira do conhecimento científico.
O fato é que os grandes progressos tecnológicos, no Brasil, ficaram até agora praticamente restritos às áreas de saúde e agropecuária. Em ambos os campos, é verdade, os êxitos foram muitos e de grande envergadura; mas precisamos de mais. Precisamos seguir o exemplo de países como os do Sudeste da Ásia, que deram um salto no desenvolvimento graças a uma política agressiva de investimento em pesquisa. Não há por que o Brasil não possa seguir o mesmo caminho.