Título: COMERCIANTES SOB SUSPEITA
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Fonte: O Globo, 26/02/2005, Rio, p. 16

Deputados estaduais que estiveram em Tinguá ontem conversando com moradores, ambientalistas e policiais suspeitam que o crime tenha sido encomendado por comerciantes da região. Segundo o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, deputado Carlos Minc (PT), donos de bares com piscinas naturais junto à reserva biológica estariam revoltados com a repressão à caça e à extração de palmito e teriam arrecadado dinheiro para pagar a quem matasse Dionísio.

De acordo com informações colhidas pelo deputado e repetidas em denúncias feitas à polícia, o encontro para fazer a ¿caixinha¿ do assassino teria acontecido há 15 dias num churrasco. Segundo Minc, boa parte dos lucros do comércio vem de turistas que visitam a reserva e encomendam carne de caça e palmito. A atuação de Dionísio e outros ambientalistas atrapalharia o negócio.

Uma reação do caçador Leonardo Marques ao ser preso reforça a tese de que o crime teria sido encomendado. O presidente da Comissão de Segurança da Assembléia Legislativa, coronel Jairo Santos (PSC), disse que o preso estava tranqüilo por achar que cumpriria apenas seis anos de reclusão.

¿ Quando eu disse que ele poderia ser condenado a 28 anos de prisão, Leonardo desabou, como se tivesse sido enganado ¿ contou o coronel Jairo.

Os delegados à frente do caso evitaram comentar a informação sobre a ¿caixinha¿, mas estão em busca de possíveis mandantes do crime.