Título: Arrecadação de tributos sobre a produção aumentou 8,5% em 2004
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Fonte: O Globo, 02/03/2005, O País, p. 26

Na coleção de recordes dos números da economia em 2004, os impostos ganharam lugar de destaque, ajudando a engordar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) em 2004. A arrecadação de tributos sobre a produção aumentou 8,5% no ano passado, na maior alta desde 1995, quando essa variação alcançou 10,5%. Descontando o efeito dos impostos, o PIB teria crescido 4,8%, em vez dos 5,2% divulgados ontem pelo IBGE.

Segundo Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, a alta das vendas de automóveis, e de máquinas e equipamentos foram os principais responsáveis pela aumento nos impostos:

¿ Foi o ano dos bens duráveis, setor que paga muito imposto. Em 2003, estava em queda ¿ disse Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE.

O ICMS, que responde por 65% dos impostos sobre produtos, teve alta de 7,7%. O IPI e ISS cresceram 10,3%. E o Imposto sobre Importação aumentou 17,6%, refletindo o desempenho desse setor, que foi positivo em 2004 ¿ alta de 14,3% depois do recuo de 1,7% no ano anterior.

A arrecadação maior do ICMS veio da energia elétrica, setor que apresentou uma taxa de 5% em 2004. De acordo com Armando Castelar, do Ipea, esse comportamento dos impostos no PIB já mostra que houve um aumento de carga tributária em 2004:

¿ Se os impostos cresceram mais que a economia, a carga deve ter sido mais alta no ano passado.

Além da arrecadação maior com o aquecimento da demanda doméstica, houve mudança de alíquotas, como a da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins):

¿ A transição do imposto em cascata resultou num aumento de alíquota.

Consumo do governo ficou estável em 2004

O aumento de arrecadação não se refletiu em consumo maior do governo. A taxa de 2004 foi de 0,7% contra 1,3% em 2003. Esse comportamento se manteve no último trimestre do ano. O gasto governamental de outubro a dezembro praticamente não se alterou: a taxa de variação foi de 0,8%.

Com a expansão no ano passado, o consumo do governo, destaca o economista Reinaldo Gonçalves, da UFRJ, teve um crescimento per capita negativo em 2004:

¿ Os gastos do governo vêm crescendo a um ritmo bem menor do que o PIB. Isso mostra que o governo tem reduzido seu peso na economia.