Título: UMA NOVA ALIANÇA
Autor: Ilimar Franco
Fonte: O Globo, 07/03/2005, Panorama Político, p. 2

Às vésperas da reforma ministerial, os partidos que integram a base aliada querem redefinir seus espaços no governo Lula. Os aliados querem mais poder para manter seu apoio à governabilidade e se engajarem no projeto de reeleição do presidente Lula. A oposição assiste ao embate, aposta num acirramento nas relações do PT com os aliados e está só esperando para recolher os insatisfeitos.

À medida que as eleições para a renovação dos mandatos para a Câmara se aproximam, maior a inquietação entre os aliados. Eles não aceitam mais, passivamente, a atual situação, em que o PT tem 25% dos votos na Câmara e 70% dos cargos federais nos estados. Temem que a estrutura do governo seja usada para garantir o crescimento eleitoral do PT, ameaçando os mandatos dos aliados. Cada um trata de usar suas armas para virar o jogo e preservar os seus contra o rolo compressor que os petistas preparam. O PP tem o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PE), para pressionar. O PL tem o vice-presidente José Alencar. Os governistas do PMDB têm o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL). E o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), ameaça com a retirada do apoio dos trabalhistas à reeleição de Lula. Para os aliados, esta definição é que vai decidir se o governo Lula terá uma base sólida no Congresso nos próximos dois anos.

¿ O problema da articulação no Congresso não vai se resolver se o governo não se abrir para os aliados. O governo tem que desmontar o esquema montado pelo Silvio Pereira e pelo Marcelo Sereno ¿ diz o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), referindo-se à distribuição dos cargos feita no início do governo Lula, em 2003.

O embate entre petistas e aliados também se manifesta na reforma política. A oposição e os aliados chegaram à conclusão de que a manutenção da verticalização, das coligações nos estados à aliança nacional, só serve ao PT. A oposição quer o fim da verticalização para se beneficiar da divisão dos governistas em função das disputas regionais. Os aliados querem o fim da verticalização, porque também querem ter o direito de usufruir o prestígio e o carisma do presidente Lula, mesmo quando seus projetos eleitores forem concorrentes com os dos petistas. Neste processo haverá defecções. A oposição vai sair recolhendo os feridos.