Título: PESQUISA: NEGROS TÊM ACESSO A UNIVERSIDADES
Autor:
Fonte: O Globo, 14/03/2005, O País, p. 9
Estudo revela que percentuais de freqüência de pretos e pardos equivalem aos existentes na população
O acesso de negros às universidade federais é menos problemático do que se supõe. Na pesquisa ¿Perfil socioeconômico e cultural dos estudantes de graduação das instituições federais de ensino superior¿, que será divulgada hoje em Brasília, os percentuais de estudantes universitários que se declararam pretos ou pardos são praticamente os mesmos que os da sociedade como um todo. A maioria dos estudantes é branca (59,4%), seguida por parda (28,3%) e preta (5,9%).
Os números são semelhantes aos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio 2003 (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a PNAD, 52,1% dos brasileiros se declararam brancos e 5,9%, pretos.
Maioria está nas classes B2, C, D e E
A pesquisa, realizada pelo Ministério da Educação, pela associação dos reitores e pelo Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis, mostrou ainda que pouco mais de dois terços dos estudantes das instituições federais de ensino superior ¿ 65% do total dos estudantes das universidades federais ¿ têm renda familiar mensal que varia de R$207 a R$1.669, pertencendo às classes B2, C, D e E.
Outro dado surpreendente é o percentual de alunos egressos do sistema público de ensino: 46,2%. Foi detectado um aumento de quase dois pontos percentuais em relação à pesquisa anterior.
Em termos regionais, os percentuais dos estudantes que cursaram integralmente ou na maior parte do tempo o ensino médio em escolas públicas são do Norte (65,1%); do Centro-Oeste (56,6%); do Sul (51,6%); do Sudeste (42,6%); e do Nordeste (37,3%).
A pesquisa ouviu 34 mil estudantes de 47 das 53 instituições federais de ensino superior entre os meses de novembro de 2003 e março de 2004. A primeira edição da pesquisa é de 1997.
Reitora da UFMG faz elogio ao trabalho com alunos
¿Ao mesmo tempo em que isso significa que as instituições estão garantindo um nível elevado de atendimento a essa população, significa também que a permanência desses estudantes depende fortemente da existência de políticas públicas e institucionais voltadas para a implementação e o desenvolvimento de programas adequados de assistência a esse alunado¿, afirma, na apresentação da pesquisa, Ana Lúcia Almeida Gazzola, reitora da Universidade Federal de Minas Gerais e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino (Andifes).