Título: ÍNDICE ALTERNATIVO DA BOLSA, O IBRX-50 GANHA DO IBOVESPA A LONGO PRAZO
Autor: Patricia Eloy
Fonte: O Globo, 14/03/2005, Economia, p. 20

Nos últimos cinco anos, somente em 2003 a rentabilidade foi menor

Quando se fala em Bolsa, vem logo à mente o Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e usado como referência para as aplicações em renda variável. Mas, quando se fala em rentabilidade, a história é outra: cada vez mais gestores e investidores vêm acompanhando de perto o desempenho do IBrX-50 ¿ o Índice Brasil 50. Nos últimos cinco anos, apenas em 2003 a rentabilidade do IBrX-50 ficou abaixo da do Ibovespa. E, segundo analistas, o resultado deve se repetir nos próximos anos. O problema, dizem, está na composição do Ibovespa.

O índice mais conhecido da Bolsa tem em carteira as 54 ações mais negociadas, entre elas as do setor de telecomunicações (que representa quase 40% do índice). No IBrX-50, não basta a ação figurar entre as 50 mais negociadas: é preciso também estar entre as 50 maiores em valor de mercado. Para Noriko Yokota, gestora de renda variável da ABN Amro Asset, o critério evita distorções e permite ao investidor aplicar num índice com maior representatividade da economia brasileira.

No IBrX-50, ações da Petrobras têm o maior peso

O padrão mundial ¿ vigente em países como EUA, Inglaterra, França e Canadá ¿ é a utilização de índices similares ao IBrX-50. O maior exemplo está nos EUA, nos índices S&P 500 e Nasdaq.

No IBrX-50, por exemplo, o maior peso está nas ações da Petrobras (com cerca de 23% do índice) e nas do setor de siderurgia e mineração (25%).

¿ Faz sentido: Petrobras e Vale do Rio Doce têm mais peso na economia do que o setor de telecomunicações, que tem sido movimentado por rumores sobre fusões e aquisições e tem rendido pouco nos últimos anos ¿ diz Alan Gandelman, diretor da corretora Ágora Senior.

Carlos Scretas, diretor da Schroder Brasil, compara: a AmBev, que tem um valor de mercado de R$43 bilhões, responde por 2,5% do Ibovespa, mesmo percentual que a Net, com valor de mercado de R$2 bilhões. Já a Vale, avaliada em R$88 bilhões, corresponde a 6,5% do índice.

¿ A distorção é grande. Já no IBrX-50, petrolíferas, mineradoras, siderúrgicas e bancos têm a maior concentração. Faz sentido, já que são setores de grande relevância para a economia. Se o investidor acredita na expansão econômica e quer esse potencial espelhado nos seus investimentos, o índice ideal é o IBrX-50 ¿ diz Pedro Bastos, diretor-adjunto de Renda Variável da Unibanco Asset.

Por isso, tem surgido um número cada vez maior de fundos cujo objetivo é atingir ou superar a rentabilidade do IBrX-50. É o caso do Unibanco Classe Mundial, que seleciona as melhores ações do índice, como Embraer, Vale e Petrobras. Desde seu lançamento, em maio de 2004, o fundo rendeu 133,4%, contra 70,7% do IBrX-50. Estratégia similar segue o ABN Amro Fia IBX, que rendeu 77% em 2004, contra 26,23% do índice.

¿ Investimos apenas nas ações que têm o maior potencial dentro do IBrX-50 ¿ diz Yokota, da ABN Asset.

Já o Schroder Brasil Ações e o Schroder Alpha Plus, que também procuram superar o IBrX-50, atingiram a meta. O primeiro rendeu 793% desde a criação, em dezembro de 1998. No mesmo período, o IBrX-50 avançou 593% e o Ibovespa, 322%. O segundo rendeu 507% desde o lançamento, em novembro de 1999, contra 269% do IBrX-50 e 133% do Ibovespa.

¿ Os números mostram a qualidade da economia brasileira, que acaba se perdendo no Ibovespa ¿ afirma Scretas.