Título: DÓLAR AVANÇA 1,18% E TEM MAIOR COTAÇÃO DESDE DEZEMBRO: R$2,752
Autor: Patricia Eloy e Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 15/03/2005, Economia, p. 26

Fiesp tem projeto de eliminação do prazo para a troca dos dólares de exportações

RIO e SÃO PAULO. Após seis altas seguidas, o dólar atingiu a maior cotação dos últimos três meses ontem, quando entraram em vigor as novas regras do mercado de câmbio. A moeda fechou em alta de 1,18%, cotada a R$2,752, o maior valor desde o dia 13 de dezembro (R$2,764). O avanço do dólar no mercado internacional, um novo leilão do Banco Central (BC), as novas regras cambiais e o vencimento de uma dívida em dólares pressionaram as cotações.

BC fez novo leilão de compra de moeda

O dólar abriu em alta de 0,74%, cotado a R$2,737, acompanhando a alta da moeda americana no exterior ¿ ontem, o euro recuou 0,71% em relação ao dólar. No fim da manhã, um leilão de compra de dólares pelo BC ajudou a sustentar a trajetória de valorização, alimentada também pelo vencimento, amanhã, de uma dívida cambial de US$1,25 bilhão. Além disso, as novas regras ampliam ¿ de 20 para 210 dias ¿ o prazo que os exportadores têm para trocar dólares por reais.

¿ Esse investidor, que equilibrava as compras feitas pelo BC, pode reduzir as vendas diárias no mercado, o que tende a pressionar as cotações. Hoje (ontem), por exemplo, houve quem esperasse uma cotação mais alta para vender moeda ¿ disse Mário Battistel, diretor de câmbio da corretora Novação.

O risco-Brasil subiu 1,24%, para 409 pontos. O Global 40, título da dívida externa brasileira mais negociado no exterior, ficou estável em 114,05% do valor de face. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em leve alta: 0,09%.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e entidades empresariais ligadas ao comércio exterior vão encaminhar ao Congresso Nacional neste semestre um projeto propondo mudança na lei de cobertura cambial, que elimine o prazo para a troca, por reais, dos dólares gerados por exportações ou outras operações. A mudança na lei é atribuição do Congresso, mas para que a mudança se torne viável o BC terá de criar normas que permitam que os dólares sejam depositados em contas no Brasil.

O diretor da área internacional da Fiesp e autor da proposta, Roberto Gianetti da Fonseca, propõe a criação de contas denominadas em dólar para empresas exportadoras e companhias que, de alguma forma, tenham receitas ou despesas em dólar. A questão foi discutida em seminário com empresários e com o presidente do BC, Henrique Meirelles

¿ O grande avanço na área externa dá condições ao país de investir em microrreformas que visam a dar maior eficiência à economia e aos mercados ¿ disse Meirelles.

Segundo estudos da Fiesp, a legislação atual de cobertura cambial gera custos que, em muitos casos, comprometem a competitividade dos exportadores nacionais. Fonseca analisou o caso de uma companhia que exporta US$1 bilhão, valor idêntico a de suas importações. A obrigatoriedade de converter o dólar em reais e fazer o inverso para pagar suas despesas no exterior representa um custo de US$50 milhões por ano.