Título: PESQUISAS AUMENTAM POLÊMICA SOBRE COTAS
Autor:
Fonte: O Globo, 16/03/2005, O País, p. 8

Percentual de afrodescendentes é menor do que nas estatísticas populacionais, diz MEC

BRASÍLIA. O Ministério da Educação divulgou ontem o resultado de um levantamento para mostrar que a cor das universidades está longe de ser a cor do país. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o percentual de pessoas negras ou pardas nas instituições de ensinos superior é menor do que o registrado nas pesquisas com estatísticas raciais da população em geral.

Anteontem, o MEC cancelara a divulgação de uma pesquisa, feita pelo próprio ministério em parceria com associações de reitores, que poderia ser utilizada para contestar a necessidade de uma política de cotas raciais no ensino superior.

Para trabalho, Inep fez análise dos dados do Provão

O Inep fez uma análise dos dados do Provão, o exame nacional de cursos. ¿Os dados apontam que a cor da população da educação superior é bastante diferente da cor da população brasileira¿, afirma nota do Inep.

Segundo o IBGE, em 2003 os brancos representavam 52% dos brasileiros. Já a população branca na educação superior, segundo os dados declarados no Provão, é de 72,9%. No caso dos negros, são 5,9% na população e 3,6% declarados no Provão entre os formandos de 26 cursos em todo o país. Para os pardos, são 41% na população e apenas 20,5% na universidade, de acordo com o Provão.

¿ Esses dados demonstram a necessidade das políticas de cotas ¿ observou o presidente do Inep, Eliezer Pacheco.

Pesquisa indicava 52% de brancos nas universidades

Já a pesquisa organizada por entidades ligadas ao ensino superior com apoio do MEC e que teve sua divulgação cancelada anteontem apontava a presença de 52% de brancos nas universidades, o mesmo percentual registrado pelo IBGE na população em geral. A mesma pesquisa indicava que há 5,9% de negros e 28% pardos.

Segundo o Inep, no período de 2000 a 2003 vem diminuindo percentualmente a representação de brancos nas universidades. A queda registrada foi de 7,0%. A presença nos negros cresceu 1,4% no mesmo período. Para os pardos esse crescimento foi de 7%.