Título: MONTANHA DE DESORDEM NO CARDOSO FONTES
Autor: Luiz Ernesto Magalhaes
Fonte: O Globo, 16/03/2005, Rio, p. 13
Auditores encontram pilha de remédios vencidos misturados a outros por vencer
Os auditores da intervenção federal encontraram no Hospital Cardoso Fontes um amontoado de remédios com prazos de validade vencidos misturados a outros, ainda no prazo de validade. Entre as caixas empilhadas havia medicamentos vitais como o Aciclovir, usado no tratamento de pacientes com Aids, o Estreptoquinase, usado em casos de infarto, líquidos para diálise e lentes para cirurgias de catarata. Todos medicamentos caros.
¿ Isso mostra o descaso com o dinheiro público ¿ disse a interventora Ana Lipke, que originalmente trabalha no Hospital dos Servidores do Estado (HSE).
Os auditores vão agora separar os medicamentos para avaliar o tamanho do desperdício. A diretora do hospital, Maria Lúcia Newlands, culpou, em parte, a antiga gestão federal pela falta de organização. Ela disse que assumiu o cargo em fevereiro de 2002, mas desde a municipalização, três anos antes, o almoxarifado e a farmácia do hospital estavam em desordem:
¿ Desde a gestão federal não se faziam os balanços anuais. A farmácia estava sem chefe e sem controle desde 99. E, quando houve a municipalização, havia uma quantidade enorme de medicamentos com prazos vencidos ¿ alegou.
Segundo ela, o município não tinha contrato de incineração desses remédios, que tiveram de ficar estocados. Ela disse, no entanto, desconhecer que medicamentos com prazos ainda por vencer estivessem misturados aos vencidos.
¿ Quando assumi, nenhum farmacologista quis assumir o controle disso. Contratei auditoria externa do Tribunal de Contas do Município e da Controladoria Geral do Município, que só foi feita em 2004, quando houve concurso público, e finalmente conseguimos preencher o cargo da chefia da farmácia. A partir da auditoria, zeramos tudo o que estava para trás.