Título: SENADO DECIDE CORTAR R$30 MILHÕES, INCLUSIVE COM VIAGENS
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Fonte: O Globo, 18/03/2005, O País, p. 3
Presidente da Casa diz que senadores continuarão sem verba de gabinete
BRASÍLIA. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), divulgou ontem a lista detalhada dos cortes que a Casa fará para reduzir os gastos em R$30 milhões este ano. Só a redução das despesas com impressão gráfica representará uma economia de R$15 milhões. Foi anunciada ainda a redução dos gastos com diárias e passagens aéreas em R$2,4 milhões.
¿ Com os cortes, garantiremos a redução de 10% dos gastos com custeio. A idéia é fortalecer a atividade-fim. Hoje, 80% das despesas são com as atividades-meio ¿ disse Renan.
Do outro lado do Congresso, no entanto, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE) e seus aliados propalavam que, mesmo com o aumento da verba de gabinete dos deputados, os senadores ainda têm benefícios maiores. Os assessores de Severino diziam que os senadores contratam funcionários fora da carreira da Casa com salários totais de R$66 mil, contra os R$44 mil agora aprovados para os deputados. No Senado, a alegação é que não existe verba de gabinete que os senadores possam usar como quiserem, como é o caso da Câmara. Os salários são pagos pelo Senado aos assessores contratados.
Ao ser perguntado se o Senado não pretendia seguir a decisão da Câmara e aumentar a verba para funcionários de gabinete, Renan foi enfático:
¿ O Senado não tem verba de gabinete e nunca terá. Pelo menos enquanto eu estiver aqui.
Foi confirmada ainda a redução das despesas com transportes em R$600 mil e com telefones e correios, em R$5 milhões. A redução e a padronização de itens de estoque consumidos pelos gabinetes e comissões do Senado renderão uma economia adicional de mais R$2,6 milhões. Os contratos de terceirização também sofrerão cortes da ordem de R$3,9 milhões.