Título: FEBEM, COM NOVAS REBELIÕES, TERÁ MUDANÇAS
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Fonte: O Globo, 19/03/2005, O País, p. 15

Governo de SP anuncia a construção de unidades menores e ajuda financeira para jovens de bom comportamento

SÃO PAULO. Depois de uma série de fugas, rebeliões e denúncias de estupro na Febem, o governo de São Paulo anunciou ontem medidas emergenciais para tentar controlar a situação. Entre elas, a construção de 41 novas unidades, com capacidade para 40 jovens cada, e a desativação parcial do Complexo Tatuapé, na Zona Leste da capital. A estratégia será regionalizar a internação.

Também estão previstos programas de apoio para as famílias e os internos. A família do jovem com bom comportamento receberá R$60 por mês a partir de abril. Os egressos serão atendidos pelo programa Jovem Cidadão, que vai recolocá-los no mercado de trabalho. Serão investidos R$53 milhões nos programas.

Os 700 jovens maiores de 18 anos internados em unidades da Febem estão sendo transferidos para Tupi Paulista, a 665 quilômetros da capital. O local foi projetado inicialmente para ser uma penitenciária, mas o governo decidiu fornecer o espaço para a Secretaria de Justiça abrigar os adolescentes infratores. O secretário de Justiça e presidente da Febem, Alexandre de Moraes, afirma que a unidade é melhor do que muitas da Febem e que não é um presídio.

A transferência permite a desativação parcial do Complexo do Tatuapé, que tem hoje 18 unidades. Com oito unidades desativadas, 40% do terreno serão utilizados para construção de um parque. Para suprir a demanda, o governo autorizou a construção de 41 unidades no estado. Elas se assemelham a complexos, já que num mesmo terreno poderá ser construído mais de um módulo com capacidade para 40 adolescentes.

Ontem, em três horas de rebelião, pelo menos quatro funcionários foram feitos reféns na Febem de Raposo Tavares, na Zona Oeste de São Paulo. Segundo o sindicato da categoria, aproximadamente 15 funcionários ficaram sob domínio de adolescentes armados de facas. Quatro das cinco unidades do complexo foram depredadas e cerca de cem policiais militares cercaram a região e invadiram o complexo para conter aproximadamente 500 internos.

Segundo a Febem, o motivo da rebelião teria sido a informação de que todos os internos seriam transferidos para o presídio de Tupi Paulista.