Título: CANDIDATO DOS EUA PROMETE NÃO VIRAR BIRD DO AVESSO
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Fonte: O Globo, 19/03/2005, Economia, p. 37

Paul Wolfowitz, indicado para o Banco Mundial, diz que África será prioridade e quer mais generosidade de países ricos

WASHINGTON, PARIS e BRUXELAS. O subsecretário de Defesa dos EUA, Paul Wolfowitz, indicado pelo presidente George W. Bush para chefiar o Banco Mundial (Bird), prometeu ontem não fazer grandes mudanças se confirmado no posto e rebateu as críticas de que seria uma má escolha. Ele disse que não vai ¿virar a instituição do avesso¿. Em entrevista ao jornal francês ¿Le Figaro¿, Wolfowitz afirmou que, caso seja confirmado, vai chegar ao banco com a mente aberta e nenhum programa político. Disse ainda que vai fazer da África uma prioridade e convencer os países doadores de que devem ser mais generosos.

¿ Muita gente fala sem me conhecer, ou me conhece apenas por caricaturas que não são muito precisas ¿ disse Wolfowitz, um dos arquitetos da invasão do Iraque, liderada pelos EUA.

A indicação de um dos chamados falcões do Pentágono para a presidência do Banco Mundial provocou reações na comunidade internacional. Os membros da própria instituição afirmaram esta semana que desejam entrevistar Wolfowitz antes que ele seja aceito no cargo, algo que nunca havia acontecido antes.

EUA têm maioria no conselho e nomeação é quase certa

Apesar da resistência contra o candidato americano ao Banco Mundial, sua nomeação é praticamente certa, já que os EUA têm maioria no conselho da instituição, formado por 24 funcionários que representam os 184 países membros.

Ontem, Wolfowitz foi convidado pelo comissário europeu do Desenvolvimento, Louis Michel, a explicar em Bruxelas seu ponto de vista sobre o papel do organismo financeiro que pretende liderar.

¿ Não se trata de uma audiência que determinaria o voto dos europeus, mas de dar um pouco mais de transparência ao processo (de indicação) e dar a ele uma oportunidade de apresentar suas idéias ¿ disse Michel.

Um acordo tácito estipula que o presidente do Bird deve ser um americano, e o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), um europeu. Uma tradição que provoca mal-estar no resto do mundo.