Título: FUMAR FAZ MAL AO PATRÃO
Autor: Fabiana Ribeiro
Fonte: O Globo, 20/03/2005, Boa Chance, p. 1
Demissão nos EUA traz à tona polêmica sobre efeitos do cigarro na produtividade
Pegou fogo a polêmica da demissão de quatro funcionárias da seguradora americana Weyco, que se orgulha de não contratar profissionais que fumam. Motivo: elas se recusaram a fazer o exame de sangue que indicaria se eram fumantes ou não. O episódio foi um prato saboroso para a imprensa local e mais ainda para um senador que entra na história, prometendo criar leis de proteção para os fumantes. Radicalismos à parte, as companhias brasileiras também fazem um cerco a quem usa nicotina. Restringem a área do cigarro, ou até o proíbem na empresa, promovem campanhas antitabagismo e oferecem tratamento a quem deseja largar o vício. Tudo em nome da saúde do funcionário, claro. Mas também em prol da produtividade, que, segundo alguns especialistas, pode, nestes casos, virar fumaça.
Na Petrobras, por exemplo, quem quiser fumar precisa ir a uma das cerca de dez varandas da empresa. Ou cruzar as portas da companhia. Uma norma que entrou em vigor em novembro de 2003 e deixou muita gente irritada.
¿ A princípio, a medida causou revolta. Mas, se a regra não existisse, haveria gente, até hoje, fumando na minha sala. É preciso ter respeito e uma política de RH democrática. Não é uma questão de produtividade. Quando fumava, não trabalhava menos ¿ acredita Heitor Chagas, gerente-executivo de RH da Petrobras.
Argumentos não faltam para empresas quererem ver fumantes à distância. Segundo a Viesanté, especializada em programas de prevenção, quem fuma falta ao trabalho dez dias a mais, por ano, do que quem não fuma. Além de gastarem 40% a mais com sistema de saúde do que os não-fumantes. São motivos como esse que levam companhias ¿ como GlaxoSmithKline, White Martins e a própria Petrobras ¿ a adotarem programas antitabagismo para funcionários. Quem fuma, se quiser parar, tem apoio do patrão.