Título: Melhor parâmetro
Autor:
Fonte: O Globo, 21/03/2005, Opinião/Editorial, p. 6
O governo tem passado por constrangimentos na divulgação de pesquisas de organismos oficiais ¿ ou com apoio oficial ¿ que desmontam a argumentação a favor de políticas públicas polêmicas.
Será sempre lembrado que uma Pesquisa de Orçamento Familiar, POF, do IBGE, provou que a obesidade é um problema bem mais grave que a fome. Mas em vez de aquietar o Palácio do Planalto, a pesquisa o fez desdobrar-se para garantir que a fome grassa no país. Entende-se, pois o PT precisa preservar bandeiras que o fizeram chegar ao poder.
Agora, o mal-estar decorre de uma pesquisa patrocinada pelo Ministério da Educação e feita por entidades representativas da cúpula das universidades federais. O problema é que o levantamento concluiu que a proporção dos que se declaram negros no ensino superior público federal (5,9%) é idêntica ao peso desse segmento na população como um todo, segundo os trabalhos demográficos do IBGE.
Assim, caiu o argumento a favor das cotas para negros nas universidades federais, como uma forma de se eliminar uma suposta sub-representatividade étnica. Os defensores das cotas, então, passaram a usar dados sobre todo o universo do ensino superior, para ressaltar a tal sub-representatividade.
Na verdade, o foco da discussão é equivocado. E se houvesse uma proporção de negros nas universidades acima do peso do segmento étnico na população? Negros teriam de ser proibidos de prestar vestibular? Claro que não. Porque o melhor parâmetro para regular a entrada na Universidade deve ser o do mérito.