Título: APENAS PUS EM VOTAÇÃO PROJETOS QUE DORMIAM.
Autor: Evandro Éboli
Fonte: O Globo, 21/03/2005, O País, p. 10
Severino justifica impacto financeiro do que foi aprovado em sua gestão na Câmara e defende aumento de verbas
ANÁPOLIS (GO) O presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), decidiu ontem reagir às inúmeras críticas que vem recebendo na sua gestão e partiu para o contra-ataque. Severino defendeu o aumento da verba de gabinete dos parlamentares e afirmou que, a despeito do impacto financeiro nos cofres públicos de R$30 bilhões, os projetos aprovados na Casa tinham de ser votados, porque ¿estavam dormindo¿ nas comissões da Câmara. Ele confirmou ter indicado o nome de seu filho, José Maurício Valladão Cavalcanti, à Superintendência de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Pernambuco. E avisou que, na reforma ministerial, seu partido não aceitará um ministério sem expressão. O ideal seria, no mínimo, o das Comunicações.
¿ O PP tem 54 deputados, a presidência da Câmara e não pode se contentar com um ministério sem expressão. Não vamos aceitar. O Ministério das Comunicações é o que mais desejaríamos. Se houver outros ministérios equivalentes ao das Comunicações, não vamos criar problemas para o presidente da República ¿ disse ele.
Ciro Nogueira já é chamado de ministro
Severino destacou que o nome indicado pelo PP na reforma ministerial é o do deputado Ciro Nogueira (PP-PI). Nogueira estava até sendo chamado de ministro ontem, por parlamentares de seu partido, durante o 2º Encontro Regional do PP.
Criticado pelo fato de em apenas um mês de gestão na presidência da Câmara já terem sido aprovados projetos que devem resultar num impacto negativo para o erário, Severino esclareceu que nada mais fez do que colocar em votação projetos que estavam esquecidos na Câmara. Ele avisou que isso não deverá acontecer mais, enquanto ele estiver no comando da Casa.
¿ Quem vota são os deputados. Apenas coloquei em votação projetos que dormiam na Câmara e agora não dormirão mais. A partir de agora, projetos que desaparecerem das comissões estarão no plenário ¿ afirmou.
Sobre o aumento da verba de gabinete dos deputados ¿ que terá um impacto de R$93 milhões por ano nas contas da Câmara ¿ Severino disse que a idéia partiu de seu antecessor, João Paulo Cunha (PT-SP). Ele afirmou ter apenas executado a proposta.
¿ Não tenho constrangimento. Os parlamentares têm que ter condições de trabalho e vamos dar essas condições. Não podemos ter deputados subjugados ao poder econômico, nem ao presidente da República. Deputado tem que ser independente ¿ argumentou o presidente da Câmara.
Quanto à indicação de seu filho para o cargo de superintendente da Agricultura em Pernambuco, Severino demonstrou mágoa ao lembrar que, por não ter um diploma de nível superior, sofreu muito com o preconceito ao longo de sua carreira política. Segundo ele, José Maurício possui todas as condições exigidas para o cargo:
¿ Eu não escondo o que faço. Quem fez a indicação foi Severino Cavalcanti. Meu filho cursou universidade, defendeu tese e é um economista com trabalho reconhecido. Faço o que a sociedade quer e a imprensa também. Fui muito criticado por não ter diploma.
Ele aproveitou para dizer que não é candidato à Presidência da República nas eleições de 2006. Segundo ele, como partido da base governista, o PP quer trabalhar para que o governo tenha um candidato próprio.
¿ Meu sonho é ser deputado federal por Pernambuco e não candidato à Presidência, porque somos da base do governo. Temos que trabalhar para que o governo tenha candidato próprio ¿ afirmou Severino, acrescentando:
¿ Mas em política tudo é muito dinâmico.
Severino lança Marconi Perillo à Presidência
Dinâmico é a palavra certa para explicar o que fez Severino Cavalcanti, após essa declaração. Ele simplesmente lançou o governador de Goiás, Marconi Perillo, à Presidência da República. E ainda colocou uma condição: que o governador troque o PSDB pelo PP.
Em seu discurso, Severino argumentou que Perillo não terá espaço no PSDB para a candidatura, e pôs o PP à disposição. O deputado, antes da eleição presidencial de 2002, alertou o então presidente Fernando Henrique Cardoso de que o hoje prefeito de São Paulo, José Serra, não era o melhor nome do PSDB para concorrer à Presidência.
¿ Disse a Fernando Henrique: Serra é um candidato derrotado e vai acontecer a mesma coisa com você, Marconi Perillo. O seu partido não vai lhe dar espaço para concorrer ¿ disse Severino, para em seguida mudar a oferta:
¿ No PP, acho que Marconi pode ser um bom nome para vice de Lula.