Título: A SITUAÇÃO NAS ESTRADAS : calamidade
Autor:
Fonte: O Globo, 27/03/2005, O País, p. 3

Redução de investimentos nas rodovias nos últimos anos ajuda a aumentar o número de vítimas

É buraco, é mato, é o fim do caminho para milhares de brasileiros que perdem a vida nos 57 mil quilômetros de rodovias federais brasileiras. Foram quase 12 mil mortos e 123 mil feridos em 211 mil acidentes nos dois últimos anos. Só em 2004 foram seis mil mortos. Números de uma tragédia provocada, em parte, pela redução dos investimentos no setor. Levantamento no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) mostra que o Ministério dos Transportes, do começo do governo Lula até segunda-feira passada, gastou R$2,192 bilhões a menos em relação a 2001 e 2002. Como os investimentos nas estradas já eram baixos na gestão Fernando Henrique, o tamanho do problema só faz crescer. O resultado é que o governo hoje admite que 40% das estradas estão em situação ruim. Pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes mostra que 74,7% da malha rodoviária têm problemas: 36,4% são consideradas deficientes, 23,7% ruins e 14,6%, péssimas. São vidas, frotas, economias, safras perdidas no caminho. Semana passada, repórteres do GLOBO percorreram estradas no Rio, em São Paulo, Minas, no Paraná, no Rio Grande do Sul, na Bahia, no Ceará e em Pernambuco. Na BR-104, próximo à divisa de Alagoas com Pernambuco, uma equipe contou mais de 80 buracos. Detalhe: num trecho de apenas um quilômetro. No Nordeste, o buraco social se soma aos das estradas: crianças pobres ficam no que restou do asfalto jogando terra para que carros e caminhões possam passar. E joguem algumas moedas. Em diferentes estados, o motorista obrigado a parar pelas péssimas condições das estradas é atacado por assaltantes. Sexta-feira, o presidente Lula disse que anunciará em breve um pacote para a recuperação da rodovias. Que pavimente esta idéia.