Título: LULA TOMA PARTIDO DE CHÁVEZ
Autor: Cristiane Jungblut
Fonte: O Globo, 30/03/2005, O Mundo, p. 32

Presidente reage a críticas do EUA e diz que não aceitará difamação de companheiros

No momento em que os Estados Unidos reforçam as críticas ao governo venezuelano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu ontem em defesa do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, dizendo que não aceita ¿difamação e insinuações contra companheiros¿. Numa crítica indireta aos EUA, Lula disse que muita gente está ¿falando mal¿ dos países da América Latina.

As declarações foram dadas horas depois de o presidente dos EUA, George W. Bush, telefonar para o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, para falar sobre sua preocupação com a situação na Venezuela. Mas ouviu o argentino responder que continuará ¿dialogando com o governo democrático venezuelano¿. Na semana passada, em visita ao Brasil, o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, criticara a intenção da Venezuela de comprar armas da Rússia.

Lula falou sobre a questão ao final do discurso, durante a abertura da reunião com os presidentes Chávez, Álvaro Uribe, da Colômbia, e com o presidente do governo da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero.

¿ Não tenho nenhuma dúvida ao afirmar, em qualquer lugar do mundo, que não aceitamos difamação de companheiros, não aceitamos insinuações contra companheiros. A Venezuela tem o direito de ser um país soberano, de tomar suas decisões. A Venezuela não precisa ficar sendo acusada de coisas que, a gente que convive com você, Chávez, sabe que não fazem parte do seu comportamento. Você pode ter certeza de nossa solidariedade ¿ disse Lula. ¿ Tem muita gente falando mal de nós pelo mundo. Portanto, é importante que tenhamos um dos sócios nos defendendo.

No ano passado, o Brasil apoiou a realização de um plebiscito sobre o mandato presidencial que deu vitória a Chávez.

¿ O presidente Chávez me disse: preciso de paz para dar ao povo venezuelano o que ele espera. Sabemos que sem paz não conseguimos fazer as coisas ¿ disse Lula.

Chávez agradeceu:

¿ Obrigado por tuas palavras de solidariedade. Às vezes dói, sabe? ¿ disse, emocionado. ¿ Acusam-nos de sermos forças negativas, de sermos forças desestabilizadoras, de estarmos fazendo uma corrida armamentista, de apoiarmos movimentos subversivos e qualquer movimento que haja por aí.

Chávez quer comprar equipamentos da Rússia, do Brasil e da Espanha. Mais cedo, ele afirmara que a Venezuela é um país democrático e de paz.

Lula ressaltou que a integração da América do Sul não era apenas discurso eleitoral e lembrou que, ao longo da História, os Estados Unidos nunca foram atenciosos com a região. Mas fez questão de dizer que os EUA têm seus próprios problemas.

Lula surpreendeu ao dar explicações sobre denúncias, divulgadas na revista ¿Veja¿, de que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) teriam feito doações para sua campanha em 2002. Ao se dirigir a Uribe, disse que era um sócio da Colômbia na luta para conquistar a tranqüilidade interna.

¿ Já comentei e isso é importante para mim. É uma acusação antiga e isso foi explorado (na campanha de 2002). E havia duas acusações contra mim: que iria transformar o Brasil na Venezuela, porque havia muitos conflitos lá, e que estava sendo financiado pelas Farc. Não levamos a sério essas denúncias ¿ disse Lula.

O presidente brasileiro fez questão de dizer a Uribe que considerava importante dar explicações sobre o assunto naquele momento em que os presidentes do Brasil, Venezuela, Colômbia e Espanha se encontravam.

Uribe fez apenas um rápido comentário sobre as declarações de Lula:

¿ Temos que escolher se vivemos com rumores ou se partimos para uma agenda de trabalho prático e eficaz ¿ disse.

O desembarque de Lula em Ciudad Guayana, na Amazônia venezuelana, foi marcado pela descontração, mas também por problemas técnicos no novo avião presidencial, que tem pouco mais de dois meses de uso. O acionamento da escada do Airbus AC 319, que custou US$56 milhões, falhou e foi preciso utilizar uma escada auxiliar do aeroporto Manuel Piar para que o presidente descesse do avião. Lula, Uribe e Zapatero foram recebidos por Chávez e depois seguiram para o Complexo Macagua, para a a reunião.

Encontro marca reaproximação

O encontro serviu basicamente para marcar a reaproximação de Chávez e Uribe, que se distanciaram após a invasão do território venezuelano por forças colombianas para prender um guerrilheiro.

A questão do combate ao terrorismo foi o tema mais polêmico. Convidado de honra do encontro, Zapatero disse que era importante sair dali com compromissos concretos sobre segurança, combate ao terrorismo, narcotráfico e pobreza.

Num momento de descontração, o ídolo do futebol argentino e campeão do mundo em 1986 Diego Maradona apareceu no Complexo Macagua. Apaixonado por futebol, Lula não perdeu a chance de conversar com ele sobre a compra de jogadores argentinos pelo seu time, o Corinthians. Maradona prometeu dar de presente a Lula uma camisa do Boca Junior, após saber que Kirchner havia presenteado o presidente brasileiro com uma camisa do Racing, time da região metropolitana de Buenos Aires.

No momento em que os Estados Unidos reforçam as críticas ao governo venezuelano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu ontem em defesa do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, dizendo que não aceita ¿difamação e insinuações contra companheiros¿. Numa crítica indireta aos EUA, Lula disse que muita gente está ¿falando mal¿ dos países da América Latina.

As declarações foram dadas horas depois de o presidente dos EUA, George W. Bush, telefonar para o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, para falar sobre sua preocupação com a situação na Venezuela. Mas ouviu o argentino responder que continuará ¿dialogando com o governo democrático venezuelano¿. Na semana passada, em visita ao Brasil, o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, criticara a intenção da Venezuela de comprar armas da Rússia.

Lula falou sobre a questão ao final do discurso, durante a abertura da reunião com os presidentes Chávez, Álvaro Uribe, da Colômbia, e com o presidente do governo da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero.

¿ Não tenho nenhuma dúvida ao afirmar, em qualquer lugar do mundo, que não aceitamos difamação de companheiros, não aceitamos insinuações contra companheiros. A Venezuela tem o direito de ser um país soberano, de tomar suas decisões. A Venezuela não precisa ficar sendo acusada de coisas que, a gente que convive com você, Chávez, sabe que não fazem parte do seu comportamento. Você pode ter certeza de nossa solidariedade ¿ disse Lula. ¿ Tem muita gente falando mal de nós pelo mundo. Portanto, é importante que tenhamos um dos sócios nos defendendo.

No ano passado, o Brasil apoiou a realização de um plebiscito sobre o mandato presidencial que deu vitória a Chávez.

¿ O presidente Chávez me disse: preciso de paz para dar ao povo venezuelano o que ele espera. Sabemos que sem paz não conseguimos fazer as coisas ¿ disse Lula.

Chávez agradeceu:

¿ Obrigado por tuas palavras de solidariedade. Às vezes dói, sabe? ¿ disse, emocionado. ¿ Acusam-nos de sermos forças negativas, de sermos forças desestabilizadoras, de estarmos fazendo uma corrida armamentista, de apoiarmos movimentos subversivos e qualquer movimento que haja por aí.

Chávez quer comprar equipamentos da Rússia, do Brasil e da Espanha. Mais cedo, ele afirmara que a Venezuela é um país democrático e de paz.

Lula ressaltou que a integração da América do Sul não era apenas discurso eleitoral e lembrou que, ao longo da História, os Estados Unidos nunca foram atenciosos com a região. Mas fez questão de dizer que os EUA têm seus próprios problemas.

Lula surpreendeu ao dar explicações sobre denúncias, divulgadas na revista ¿Veja¿, de que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) teriam feito doações para sua campanha em 2002. Ao se dirigir a Uribe, disse que era um sócio da Colômbia na luta para conquistar a tranqüilidade interna.

¿ Já comentei e isso é importante para mim. É uma acusação antiga e isso foi explorado (na campanha de 2002). E havia duas acusações contra mim: que iria transformar o Brasil na Venezuela, porque havia muitos conflitos lá, e que estava sendo financiado pelas Farc. Não levamos a sério essas denúncias ¿ disse Lula.

O presidente brasileiro fez questão de dizer a Uribe que considerava importante dar explicações sobre o assunto naquele momento em que os presidentes do Brasil, Venezuela, Colômbia e Espanha se encontravam.

Uribe fez apenas um rápido comentário sobre as declarações de Lula:

¿ Temos que escolher se vivemos com rumores ou se partimos para uma agenda de trabalho prático e eficaz ¿ disse.

O desembarque de Lula em Ciudad Guayana, na Amazônia venezuelana, foi marcado pela descontração, mas também por problemas técnicos no novo avião presidencial, que tem pouco mais de dois meses de uso. O acionamento da escada do Airbus AC 319, que custou US$56 milhões, falhou e foi preciso utilizar uma escada auxiliar do aeroporto Manuel Piar para que o presidente descesse do avião. Lula, Uribe e Zapatero foram recebidos por Chávez e depois seguiram para o Complexo Macagua, para a a reunião.

Encontro marca reaproximação

O encontro serviu basicamente para marcar a reaproximação de Chávez e Uribe, que se distanciaram após a invasão do território venezuelano por forças colombianas para prender um guerrilheiro.

A questão do combate ao terrorismo foi o tema mais polêmico. Convidado de honra do encontro, Zapatero disse que era importante sair dali com compromissos concretos sobre segurança, combate ao terrorismo, narcotráfico e pobreza.

Num momento de descontração, o ídolo do futebol argentino e campeão do mundo em 1986 Diego Maradona apareceu no Complexo Macagua. Apaixonado por futebol, Lula não perdeu a chance de conversar com ele sobre a compra de jogadores argentinos pelo seu time, o Corinthians. Maradona prometeu dar de presente a Lula uma camisa do Boca Junior, após saber que Kirchner havia presenteado o presidente brasileiro com uma camisa do Racing, time da região metropolitana de Buenos Aires.