Título: NAVIO DE GUERRA AFUNDADO É ACHADO NO MAR DO RIO
Autor: Tulio Brandão e Marcos Tristão
Fonte: O Globo, 01/04/2005, Rio, p. 15
Contratorpedeiro que serviu às marinhas americana e brasileira está a 12 Km da costa, a 52 metros de profundidade
O contratorpedeiro Paraíba reviveu na Marinha brasileira a lenda de que alguns navios têm alma: preferem o fundo do mar ao desmonte em ferro-velho. Depois de ser vendido pela corporação, ele afundou na costa do Rio no dia 4 de fevereiro, quando era rebocado para a Índia, onde seria desmontado. A morte de uma embarcação repleta de histórias ¿ antes de pertencer ao Brasil, serviu à Marinha americana, como o destróier USS Davidson ¿ encheu de vida o grupo de mergulhadores Wreckfinder. Dedicados à caça de navios naufragados na costa do estado, eles pesquisaram em bibliotecas, consultaram fontes e, no último dia 19, encontraram o tesouro.
Navio, de 126 metros, está praticamente intacto
Para os amantes da imensidão azul, um navio de 126 metros, praticamente intacto (apenas a proa está danificada), afundado a 52 metros de profundidade num ponto distante apenas cerca de 12 quilômetros da costa Rio, é uma descoberta única. O mergulhador Paulo Dias, que faz parte do Wreckfinder, foi um dos seis integrantes do grupo a ver o contratorpedeiro completo no fundo do mar, com canhões, lançadores de foguete e outras armas desativadas. Ele revela a importância do achado:
¿ O Paraíba é o mais importante naufrágio para o turismo de mergulho técnico do Sudeste. Vai competir em importância com a corveta Ipiranga, naufragada em Fernando de Noronha. O contratorpedeiro é impressionante, um presente para o Rio.
Os mergulhadores principiantes, no entanto, não estão aptos a conhecer o Paraíba no fundo do mar. Devido à profundidade de até 52 metros, o navio só pode ser alcançado por quem tem curso de mergulho avançado. O Wreckfinder ¿ formado por Paulo Dias, Lélis Couto Júnior, Paulo Tessarollo, Esmeraldino Aragão, Gilson Oliveira e Clécio Mayrink ¿ pesquisa outros quatro naufrágios nas águas do Rio.
Marinha investiga naufrágio de contratorpedeiro
A Marinha confirmou o naufrágio do Paraíba a sudoeste das Ilhas Maricás, quando era rebocado pelo navio panamenho Champ com destino ao Porto de Alang, na Índia. Segundo a corporação, foi instaurado um inquérito ¿ ainda em andamento ¿ para apurar o acidente. A Marinha diz ter emitido, em fevereiro, um ¿aviso aos navegantes¿, em que pede cautela, informa a posição do naufrágio e a menor profundidade encontrada, de 39 metros.
Marinheiros e especialistas em navios de guerra comemoraram o fim considerado honroso do contratorpedeiro. No site do USS Davidson, dedicado a quem serviu no navio enquanto era um destróier americano, o naufrágio é informado com a seguinte frase destacada: ¿Meu amigo, seu barco vai se manter bonito e inteiro para sempre¿.
Especialistas contam que não é a primeira vez que a lenda de navios com alma é lembrada: o cruzador Tamandaré afundou em 1980 ao Sul da África, no Oceano Atlântico, quando era rebocado para ser desmontado. A causa do naufrágio, no entanto, costuma ser o peso reduzido da embarcação, que viaja sem óleo e parte dos equipamentos, associado às más condições de tempo.