Título: ISOLADO NO MERCOSUL, BRASIL TENTA APOIO NA OMC
Autor: Eliane Oliveira
Fonte: O Globo, 03/04/2005, Economia, p. 38

País lança Seixas Corrêa para dirigir organização, em disputa com uruguaio. Argentina e Paraguai negam apoio

BRASÍLIA. Acostumados a enfrentar os inúmeros impasses que já ocorreram dentro do bloco comercial, mas com o cuidado de evitar que as divergências comprometam a imagem do Mercosul perante a comunidade internacional, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai vivem um dilema inédito. Ao tentar minar a candidatura do uruguaio Carlos Pérez del Castillo ao posto de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), lançando o seu próprio candidato -¿ o embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa -¿ o Brasil acabou ficando completamente isolado no Cone Sul.

Mesmo constrangidos, Argentina e Paraguai revelam que estão ao lado de Castillo, porque acertaram o apoio antes de o Brasil se manifestar.

Paraguai: ¿Não podemos deixar de apoiar o Uruguai¿

Diante disso, o governo brasileiro agora espera que os parceiros argentinos e paraguaios pelo menos incluam o nome de Seixas Corrêa na lista de preferências que começa a ser entregue amanhã, em Genebra, na Suíça, ao Conselho-Geral da OMC.

¿ O ideal seria se fosse um só candidato no Mercosul, mas não podemos deixar de apoiar o Uruguai, porque eles votaram a nosso favor num posto da Organização dos Estados Americanos (OEA) ¿ explica o embaixador do Paraguai no Brasil, Luis Gonzalez Árias.

As autoridades argentinas já afirmavam, informalmente, quem é seu favorito. Porém, o apoio foi oficializado somente no início da semana passada, com uma nota do Ministério das Relações Exteriores do país vizinho.

Lula apóia Chávez, mas Venezuela não se decide

Castillo também tem a seu lado o México. Fora isso, os demais países da América do Sul, especialmente a Venezuela ¿ que tanto tem se beneficiado do discurso político favorável do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a seu colega Hugo Chávez ¿ ainda não se decidiram.

¿ Esperamos que o Uruguai e a Argentina, durante as consultas, também digam que apóiam o Brasil. Ou seja, que estão fechados com o Castillo, mas que não são contra nossa candidatura ¿ diz Seixas Corrêa.

Para driblar esses entraves e, ao mesmo tempo, evitar dissabores futuros, o Brasil faz uma intensa campanha em todo o planeta. Até agora, ela tem como saldo o apoio da China e da Índia, países que dividem com os brasileiros a liderança do exitoso G-20 ¿ grupo de nações em desenvolvimento que brigam pelo fim das barreiras e dos subsídios agrícolas nas negociações da OMC.

Amorim aposta que África vai virar a favor do Brasil

Convicto de que, num primeiro momento, os países africanos estão fechados com o ministro de Negócios Estrangeiros das Ilhas Maurício, Jaya Krishna Cuttare, o chanceler Celso Amorim intensifica a campanha numa peregrinação à África. Ele aposta que, numa segunda etapa, todos esses países ficarão ao lado do Brasil.