Título: Depois do massacre, o reforço
Autor: Jailton de Carvalho
Fonte: O Globo, 04/04/2005, Rio, p. 8

Governo federal diz que primeira turma da Força Nacional chega ao Rio esta semana

Depois de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Granja do Torto, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou ontem que um contingente de 400 a 600 policiais da Força Nacional será enviado ao Rio de Janeiro nos próximos dias para participar de operações de combate ao crime organizado.

Bastos foi convocado para a reunião com Lula no início da manhã. Segundo um assessor com trânsito no Palácio do Planalto, Lula está indignado e angustiado. Ele quer uma resposta rápida para que o assassinato de 30 pessoas na Baixada Fluminense não fique impune. A Polícia Federal suspeita que pelo menos dez homens ¿ a maioria policiais militares ¿ tenham participado do massacre.

¿ Uma chacina dessa proporção, com esse aspecto de gratuidade, só se explica pelo desafio ao Estado. As pessoas queriam mostrar que não têm medo do Estado. A única solução é decifrar rapidamente o crime e fazer deste um crime com castigo, com punição dura e forte ¿ afirmou Bastos.

As tropas da Força Nacional serão enviadas ao Rio de forma gradual. O primeiro contingente, formado por 160 homens, deve desembarcar no Rio ainda esta semana, segundo informou um auxiliar de Bastos. O Ministério da Justiça estaria apenas aguardando a conclusão da reforma nas instalações do Batalhão de Operações Especiais (Bope) para recrutar e mobilizar a tropa. Os policiais ficarão alojados no Bope.

O envio da Força Nacional ao Rio foi acertado em fevereiro, entre o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, e o secretário estadual de Segurança, Marcelo Itagiba. Pelo acordo, ratificado por Bastos e pela governadora Rosinha Garotinho, a Força Nacional começaria a chegar ao Rio no início do mês passado. Mas o atraso na reforma das instalações do Bope teria forçado uma mudança no cronograma.

Policiais serão treinados no Bope

Com a chacina da quinta-feira, o envio da Força Nacional ao Rio voltou a ser incluído entre as prioridades da Secretaria Nacional de Segurança Pública. Pelo acordo entre Luiz Fernando Corrêa e Marcelo Itagiba, as tropas farão um treinamento no Bope e depois participarão de operações conjuntas com as policiais Civil e Militar no combate ao crime organizado. A Força Nacional é formada por policiais e integrantes do Corpo de Bombeiros de todas as unidades da federação.

A atuação conjunta entre as forças federais e estaduais foi determinada por Lula na sexta-feira e voltou a ser abordada na reunião de ontem.

¿ Ele (Lula) me disse que é preciso que a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e as forças federais de inteligência se coloquem juntas para decifrar esse crime, que causa indignação ¿ disse Bastos.

Foi também a partir da ordem de Lula que a Polícia Federal abriu inquérito para apurar a chacina, embora a competência original para apurar este tipo de crime seja da Polícia Civil.

A Assessoria de Comunicação Social da governadora Rosinha Garotinho informou que ela desconhece o envio da Força Nacional ao Rio nos próximos dias. Segundo a assessoria, a governadora não se opõe à vinda da Força Nacional, mas não recebeu qualquer informação sobre isso.

O secretário de Segurança, Marcelo Itagiba, também não comentou o assunto. A sua assessoria confirmou que o envio da Força Nacional ao Rio está decidido desde o início do ano, quando os governos federal e estadual concordaram que os policiais seriam treinados pelo Bope, a tropa de elite da PM, no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cefap), em Sulacap. Ainda de acordo com a assessoria, a Secretaria Nacional de Segurança ficou de fazer a reforma das instalações para receber os policiais, mas a obra não foi realizada.