Título: JUCÁ NÃO CONVENCE PLANALTO E JÁ É ATACADO PELO PT
Autor: Adriana Vasconcelos e Cristiane Jungblut
Fonte: O Globo, 07/04/2005, O País, p. 5

João Paulo diz que não é bom ter alguém sob suspeita na Previdência e Renan reage: `Fogo amigo com o PMDB não!¿

BRASÍLIA. As denúncias contra o ministro da Previdência, Romero Jucá (PMDB), constrangeram o Palácio do Planalto, que considerou ¿apenas razoáveis¿ as explicações do peemedebista sobre supostas irregularidades, e puseram em lados opostos ontem PMDB e PT. A cúpula peemedebista reagiu com irritação às cobranças feitas pelo ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) para que Jucá esclareça logo as acusações de que é alvo, ressaltando que é ruim para o governo ter um ministro sob suspeição. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deixou claro que seu partido não aceita ¿fogo amigo¿. Mas o Palácio do Planalto já teria avisado que se novas denúncias aparecerem, o ministro, empossado há duas semanas, terá vida curta no cargo.

¿ O ministro precisa pôr um paradeiro nesta desconfiança. Ele precisa dar as explicações de forma peremptória para que não paire nenhuma dúvida sobre sua conduta. Porque não é bom para o governo, para o PMDB e para o Ministério que alguém sob suspeita continue na Previdência, que é uma pasta muito importante, com muitos recursos e que paga muitos benefícios ¿ cobrou João Paulo.

João Paulo: explicações de Jucá não convenceram

Para o ex-presidente da Câmara, as explicações dadas até agora por Jucá não foram convincentes:

¿ Se fossem suficientes (as explicações), não continuaria a polêmica. Só continua quando a justificativa não é suficiente.

Renan, que na véspera declarara estar totalmente satisfeito com as explicações apresentadas pelo ministro, não escondeu sua contrariedade diante das declarações de João Paulo.

¿ Fogo amigo com o PMDB não! ¿ reagiu.

O líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), reagiu com ironia aos comentários do deputado petista, insinuando que João Paulo estaria amargo por não ter conseguido ser nomeado para a vaga do ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, como vinha defendendo boa parte da bancada petista.

¿ Estou perplexo! Toda vez que temos um sonho mal realizado, a gente fica meio amargo ¿ disse Suassuna.

Por trás do ataque de João Paulo, os peemedebistas acham que estaria uma estratégia do deputado para intrigar o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), com o presidente Lula. Isso porque os dois teriam avalizado a indicação do PMDB para a Previdência. Além disso, eles desconfiam que João Paulo possa também estar externando uma preocupação do PT em perder o controle sobre a Secretaria de Previdência Complementar e a Dataprev, uma vez que Jucá anunciou na sua posse que todos terão de obedecer a ele.

No Senado também foi grande o burburinho sobre a situação de Romero Jucá. Sua delicada situação era conversa de todas as rodas. E deve ser um dos temas principais do almoço entre Renan Calheiros e o chefe da Casa Civil, José Dirceu. Jucá apresentará até amanhã sua defesa por escrito ao procurador-geral da República, Cláudio Fonteles.

Contratação sem concurso é vetada em texto no DO

Ontem, uma medida polêmica da gestão Jucá foi revogada. O Diário Oficial da União publicou uma retificação em relação a um decreto que previa a possibilidade de serem feitas indicações de servidores de fora dos quadros da Previdência para a Secretaria de Receita Previdenciária, recém-criada no pacote de medidas anunciadas para combater o déficit da Previdência.

A medida provocou resistências entre os auditores fiscais, que achavam que ela poderia favorecer indicações políticas para cargos responsáveis pela arrecadação. A retificação mudou a redação do artigo 28, que tratava da estrutura do ministério, substituindo o trecho que dizia que os cargos deveriam ser providos ¿preferencialmente¿ por concurso, por ¿exclusivamente¿.