Título: SERRA FAZ AVALIAÇÃO DOS CEM DIAS
Autor: Flávio Freire
Fonte: O Globo, 09/04/2005, O País, p. 5
Tucanos voltam a culpar a gestão de Marta Suplicy por problemas de São Paulo
SÃO PAULO. Em meio a críticas de inoperância por parte da oposição e dificuldades de relacionamento com a Câmara dos Vereadores, o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), fez ontem um balanço positivo dos primeiros cem dias de seu governo. Em discurso a secretários e subprefeitos, o tucano disse que não era momento para ¿satanizar heranças, por mais malditas que sejam¿, mas de pôr em prática uma política de redução de danos. Para a oposição, o prefeito governa de olho nas eleições de 2006.
Em cerca de meia hora, por várias vezes Serra responsabilizou a administração da ex-prefeita Marta Suplicy (PT) pelo caos na cidade, ao mesmo tempo em que destacava a economia de R$4 milhões com a compra de uniformes escolares mais baratos e de R$47 milhões com o corte de 2.650 cargos de confiança nesses três primeiros meses. Também comemorou a renegociação de 35 contratos na área de educação, com economia de R$6 milhões. Aproveitou para prometer o Museu do Futebol e a ampliação do Museu de Arte Moderna.
A arrecadação de impostos tem permitido uma margem de alívio para os tucanos. Só nos primeiros três meses de governo, foram arrecadados 27,5% da receita prevista para 2005. Nesse ritmo, o tucano deve atingir até o final do ano a meta de arrecadar os R$14,6 bilhões do orçamento.
¿ Nós estamos colocando ordem nas contas da prefeitura, que no passado tinha até salários maquiados. Até os postes de luz sabiam que a prefeitura cancelava os empenhos para pagamento.
Passados os primeiros apertos por causa de dívidas deixadas pelo governo anterior ¿ foram renegociados com credores cerca de R$2 bilhões em restos a pagar ¿, Serra termina o terceiro mês de gestão tendo pela frente o desafio de imprimir um estilo que marque a gestão tucana na maior cidade do país.
Serra tenta reunir forças na Câmara Municipal
Em meio aos credores batendo à porta, greve de perueiros, aumento da tarifa de ônibus, filas em hospitais e até bate-boca com moradores, Serra corre contra o tempo para tirar do papel os projetos que melhorem o dia-a-dia de quem vive em São Paulo. Ao mesmo tempo, procura blindar o município contra a artilharia da oposição na disputa das eleições de 2006.
Para isso, em princípio, pretende mudar derrotas que teve na esfera política desde que assumiu o governo paulistano. Na Câmara Municipal, onde não conseguiu sequer eleger o presidente da Casa, agora tenta reunir forças para aprovar a reforma da Previdência, que aumenta de 5% para 11% a contribuição dos servidores. Pelas contas do prefeito, uma economia de R$11 milhões por mês aos cofres públicos.
Aos poucos, Serra tenta negociar a aprovação de projetos com vereadores de partidos que formam o chamado ¿Centrão¿, entre eles o PP de Paulo Maluf, o PMDB e o PL. Embora continue criticando a forma como a ex-prefeita se relacionou com a Câmara Municipal a ponto de obter maioria quase absoluta, Serra tem perdido horas para tentar convencer opositores sobre o interesse de seus projetos.
Para integrantes do governo tucano, Serra deve expor ¿o descalabro do martismo¿, como explicou o secretário de Governo, Aloysio Nunes Ferreira.