Título: NOVA DENÚNCIA ENVOLVE JUCÁ EM COMPRA DE VOTOS
Autor: Jailton de Carvalho
Fonte: O Globo, 13/04/2005, O País, p. 5

Ministério Público diz que ministro da Previdência participou de esquema que aliciou 29 mil eleitores em 2002

BOA VISTA (RR). O Ministério Público Federal denunciou o ministro da Previdência, Romero Jucá, e mais sete políticos de Roraima por envolvimento num esquema de compra de votos de 29 mil eleitores e pelo uso de servidores públicos na campanha eleitoral de 2002. Na denúncia, aceita pela Justiça Eleitoral, o procurador da República Age Florêncio da Cunha pede a cassação do mandato de senador de Jucá e de seus supostos cúmplices por abuso de poder econômico. A partir das 10h de hoje, o juiz Luiz Fernando Mallet, da 1ª Zona Eleitoral, começará a ouvir testemunhas e acusados no fórum de Boa Vista.

Segundo um dos investigadores do caso, Jucá foi intimado a se explicar. A denúncia é amparada em documentos apreendidos pela Polícia Federal e em depoimentos de três servidoras públicas que integravam um grupo de militantes encarregado de comprar eleitores, principalmente nos bairros pobres de Boa Vista. Parte dessas informações foi enviada ontem ao procurador-geral da República, Claudio Fonteles.

O procurador deverá decidir se pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF) abertura de inquérito criminal contra Jucá e os demais acusados. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, aliados de Jucá arregimentaram no primeiro turno da campanha eleitoral de 2002 39 pessoas, a maioria servidoras da Prefeitura de Boa Vista, para comprar eleitores por R$100. Os eleitores deveriam votar nos candidatos de PSDB, PMDB e PST, especialmente em Jucá, na senadora Marluce Pinto e na deputada Maria Veronezze.

Cada eleitor receberia R$50 de manhã e o resto no fim do dia, depois da votação. O grupo, divido entre ¿militantes¿, ¿elos responsáveis¿ e ¿correntes¿, tinha a missão de conferir as listas de votação para saber se os eleitores haviam cumprido o compromisso.

Servidora municipal diz que eleitores recebiam R$100

Uma das supostas integrantes do grupo que comprava votos era a agente comunitária Gilma Gonçalves de Azevedo. Funcionária da Secretaria de Gestão Participativa, com salário de R$1.045, Gilma disse que trabalhou na campanha de Jucá, elaborando listas de eleitores. Em depoimento ao Ministério Público em 2 de outubro de 2002, Gilma disse que ¿as listas montadas representavam uma verdade: tratava-se de eleitores arregimentados para votar nos candidatos e na coligação que lhes fossem indicados, recebendo pagamento de R$100 por seus votos¿. As acusações foram reforçadas por Maria José Bezerra de Araújo e Edilene Ferreira. Elas eram funcionárias da prefeitura de Boa Vista, comandada por Tereza Jucá (PPS), mulher de Jucá.