Título: PRESIDENTE DEFENDE VIAGENS: `POLÍTICA É OLHO NO OLHO¿
Autor: Francisco Leali
Fonte: O Globo, 13/04/2005, O País, p. 8

Lula avisa que em 2006, ano eleitoral, dará prioridade a deslocamentos dentro do país

ABUJA, Nigéria. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem sua extensa agenda de viagens internacionais e afirmou que elas são relevantes devido à importância que o Brasil adquiriu no cenário internacional. Disse que não só ele mas também os ministros das Relações Exteriores, da Indústria e Comércio, da Agricultura e da Cultura devem ir ao exterior. Listou as viagens que ainda fará este ano ao exterior, mas adiantou que em 2006 ¿ quando deverá disputar novo mandato ¿ viajará mais pelo Brasil.

¿ Viajem o máximo que puder porque política não se faz via fax, via telefone, via internet. Política é olho no olho. É, como diria o povo brasileiro: tête-à-tête ¿ afirmou. ¿ O Brasil já foi descoberto. Agora precisamos descobrir os outros. Não podemos ficar esperando que as pessoas apareçam no Brasil para comprar. Temos que viajar o mundo para vender, e é isso que estamos fazendo.

Quando lhe perguntaram se precisaria de mais um mandato para visitar todos os países que deseja, Lula disse que isso depende do povo:

¿ Eu não posso (falar sobre outro mandato). O povo é quem decide.

Próxima viagem será ao Japão e à Coréia

O próprio presidente confirmou sua agenda internacional já programada: em maio visita Coréia e Japão; no dia 8 de julho, Lula vai a Escócia participar da reunião do G-8; seis dias depois participa de celebrações da Queda da Bastilha na França. No segundo semestre, o destino será a Rússia (em outubro) e a Itália (ainda sem data marcada).

¿ Depois disso pretendo me dedicar a viajar mais pelo Brasil ¿ disse Lula, no palácio do governo da Nigéria.

Lula aproveitou a companhia do presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, e justificou que é melhor conhecer um chefe de governo pessoalmente do que ficar trocando correspondência com ele.

¿ A relação humana é insubstituível. Posso mandar 500 e-mails para o presidente Obasanjo, mas nenhum deles valerá como um aperto de mão entre dois políticos ¿ disse, segurando a mão do nigeriano.

O encontro dos dois presidentes serviu para que um tema tabu nas relações entre Brasil e Nigéria viesse à tona: a dívida de US$160 milhões do país africano com credores brasileiros.

¿ Não tenho dúvida de que não há controvérsia que não tenha solução. A dívida não é grande e acredito que haverá acordo satisfatório para os dois países ¿ disse Lula. (Francisco Leali)