Título: CAI O NÚMERO DE ARMAS FURTADAS E EXTRAVIADAS
Autor: Regina Alavarez e Evandro Éboli
Fonte: O Globo, 14/04/2005, O País, p. 12

Delegado diz que redução é resultado da campanha; projeto sobre referendo será encaminhado hoje para a CCJ

BRASÍLIA. O chefe do Serviço Nacional de Armas (Sinarm), delegado Fernando Segóvia, que coordena a campanha nacional de desarmamento, informou ontem que caiu drasticamente o número de armas furtadas e extraviadas no país no ano passado. Para ele, a redução já é um resultado da campanha. O número de armas furtadas passou de 40 mil em 2003 para 15 mil no ano passado, enquanto o número de armas extraviadas caiu de 16 mil para 1,5 mil. A redução continuou no primeiro trimestre deste ano.

¿ Quarenta mil armas estariam indo para a mão de criminosos e não foram ¿ disse o delegado, favorável à proibição da venda de armas no país.

Segóvia divulgou o levantamento mais recente sobre a campanha de desarmamento: a Polícia Federal já recebeu 279.689 armas desde 15 de julho do ano passado, quando a campanha foi lançada, sendo 32 mil no Rio de Janeiro e 82,8 mil em São Paulo. O delegado acha que o número total de armas entregues já pode ter superado a marca de 320 mil, levando-se em consideração as recolhidas nos conselhos estaduais de desarmamento.

¿ Estamos tentando acabar com as fontes de armas dos criminosos e a queda no número de armas furtadas e extraviadas mostra que isso está ocorrendo ¿ explicou.

Na Câmara dos Deputados, o presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, Enio Bacci (PDT-RS), anunciou ontem que o projeto que regulamenta o referendo sobre desarmamento será encaminhado hoje para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Após oito meses, foram esgotadas todas as possibilidades de se votar a proposta na Comissão de Segurança.

Bancada da bala obstruiu a tramitação do projeto

A bancada da bala, contrária à consulta popular, obstruiu a tramitação. Não houve quórum para se realizar a sessão extraordinária que votaria o projeto ontem. No plenário da comissão, havia apenas dois deputados. Eram necessários pelo menos dez. A expectativa é de que o projeto seja votado e aprovado, na CCJ, na próxima terça-feira.