Título: FMI PREVÊ CRESCIMENTO MENOR ESTE ANO
Autor: José Meirelles Passos
Fonte: O Globo, 14/04/2005, Economia, p. 22

Preço do petróleo e taxa de juros nos países ricos são ameaças, diz o Fundo

WASHINGTON. Apesar de prever que o Brasil terá este ano um crescimento econômico menor (3,7%) do que no ano passado (5,2%), o Fundo Monetário Internacional (FMI) crê que o país continua percorrendo um caminho sólido.

O ritmo atual seria compatível com ¿um passo mais sustentável¿, que agora é mantido principalmente pela demanda doméstica, ¿com um ligeiro crescimento do consumo privado e dos investimentos em negócios¿, e não graças apenas às exportações ¿ segundo o informe ¿Perspectivas da Economia Mundial¿, divulgado ontem pelo Fundo.

¿ Eu creio que, a esta altura, o equilíbrio é razoável entre a dose de aperto fiscal e a de aperto monetário. Creio que o enfoque deve ser dado mais à continuação do processo de reforma estrutural que está sendo realizado ¿ disse Raghuram Rajan, o economista-chefe do FMI, ao distribuir o documento.

Segundo o texto, ¿o desempenho fiscal excedeu as expectativas, com superávit primário de 4,6% do Produto Interno Bruto em 2004. Será importante manter uma postura de aperto fiscal em 2005 e mais à frente, para continuar a reduzir a dívida pública. O ajuste fiscal terá de ser apoiado pelas reformas tributária e da Previdência¿.

Rajan disse que as taxas de juros estão altas no Brasil ¿ ¿em especial para empréstimos¿ ¿ não devido a temores de inflação, e sim ¿a outros fatores estruturais que precisam ser encarados¿. Ele acrescentou que o combate à inflação não teria de ser feito apenas pela política monetária:

¿ É preciso realizar reformas estruturais para reduzir o índice das taxas de juros ¿ disse.

Pelas previsões do Fundo o crescimento da América Latina, em geral, será de 4,1% este ano contra 5,7% em 2004, quando a região atingiu o índice mais alto dos últimos 25 anos. Há dois riscos iminentes: o da volatilidade dos preços do petróleo e uma elevação mais aguda do que o esperado nas taxas de juros dos países ricos. ¿É pouco provável que uma posterior depreciação do dólar, desde que limitada e ordenada, tenha repercussões significativas na América Latina¿, diz um trecho do informe.