Título: VENDAS NO COMÉRCIO SUBIRAM, MAS NUM RITMO BEM MENOR EM FEVEREIRO
Autor: Cássia Almeida
Fonte: O Globo, 15/04/2005, Economia, p. 34

Setor de móveis e eletrodomésticos mantém aquecimento: alta de 16,10%

As vendas do comércio do país continuam em alta, porém, num ritmo bem mais moderado. Em fevereiro (frente ao mesmo mês de 2004), o movimento cresceu 1,32%, descontando o efeito da inflação, na 15ª alta seguida. Foi a menor taxa desde que começou a recuperação do setor em dezembro de 2003. No ano, o comércio teve alta de 3,84% e, nos últimos 12 meses, de 8,95%. Mas o IBGE, que divulgou ontem a Pesquisa Mensal do Comércio, não vê desaceleração nas vendas. A explicação para a taxa bem abaixo da de janeiro (6,24%) foi o menor número de dias úteis. O carnaval aconteceu em fevereiro este ano, ao contrário de 2004, e o mês teve um dia a menos:

¿ Isso afetou principalmente o desempenho do ramo de hiper e supermercados, que registrou queda de 1,10% ¿ disse Reinaldo da Silva Pereira, economista do IBGE.

O menor número de dias também atingiu as vendas de combustíveis, que caíram 8,65%. Mas não prejudicou o movimento das lojas de móveis e eletrodomésticos, que subiu 16,10%.

Sem os efeitos sazonais, houve queda de 3,5%

Segundo Pereira, a facilidade de crédito continua beneficiando o setor, mesmo com as seguidas altas de juros. A queda da inadimplência afastou o repasse das elevações da Taxa Selic, com a redução da parcela de risco, acredita Pereira. O parcelamento foi a opção da professora Janeyre Cordeiro. Em visita ao Rio, comprou duas cadeiras na loja Tok&Stok, para o quarto dos filhos que receberam mobília nova, assim como a cozinha:

¿ Mudamos de casa e resolvemos trocar os móveis. Compramos em três parcelas.

Os bons ventos no setor estão fazendo a rede de lojas de móveis ampliar o número de filiais. Em junho, abre na Barra da Tijuca a maior de suas 25 lojas no país. Terá 8,5 mil metros quadrados, espaço 50% superior à de Pinheiros, em São Paulo, sua maior loja.

O bom desempenho do setor não reflete o conjunto do varejo em fevereiro, na opinião de analistas. Nas contas feitas pelo economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Felipe Pinheiro, as vendas caíram 3,5% frente a janeiro.

¿ O comércio atingiu o pico em dezembro e a tendência a partir de agora é de estabilidade. Não acredito que haja queda em março. As vendas devem se manter no mesmo patamar do ano passado ¿ afirma o economista.

A desaceleração atingiu vários ramos. A taxa para o comércio varejista ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, foi ainda menor: 0,26%, contra 7,41% do primeiro mês do ano. A venda de carros ficou 2,03% menor, enquanto a de construção ficou estável em 0,03%, depois de ter crescido 1,06% em janeiro.