Título: EUA MANTÊM RESTRIÇÕES CONTRA AÇO IMPORTADO
Autor: Eliane Oliveira
Fonte: O Globo, 15/04/2005, Economia, p. 35

Decisão prejudica siderúrgicas brasileiras, que enfrentam sobretaxas de até 53% para vender nos Estados Unidos

BRASÍLIA. A Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos anunciou ontem que vai manter as tarifas e restrições impostas desde 1999 ao aço produzido no Brasil, no Japão e na Rússia. A decisão foi tomada por quatro votos a dois. As tarifas vão de 48% a 53% para o aço laminado a quente do Brasil, e de 18% a 23% para produtos similares de origem japonesa. Já os russos sofrem restrições por cotas.

As empresas siderúrgicas americanas argumentaram que, durante anos, a concorrência de importações subsidiadas prejudicou seu negócio, levando muitas companhias à falência. Segundo essas empresas, exportadores brasileiros, japoneses e russos venderam sete milhões de toneladas de aço laminado a quente para os Estados Unidos em 1998, o que teria provocado excesso de oferta no mercado americano e a conseqüente derrubada dos preços no país.

Em 2002, os argumentos dos fabricantes de aço americanos convenceram o presidente George W. Bush a elevar a tarifa do produto para outros 11 países. O presidente suspendeu essas sanções no fim de 2003.

Se a decisão tomada ontem foi uma vitória do setor siderúrgico americano, significou uma derrota para fabricantes de veículos e outras indústrias dos EUA. Elas vêem a restrição à concorrência no fornecimento de aço como um motivo para o alto preço do metal no mercado americano.

A manutenção das barreiras americanas contra os laminados a quente não foi uma surpresa para o Itamaraty, que discorda totalmente da política antidumping americana. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Ministério das Relações Exteriores, Piragibe dos Santos Tarragô, esse tipo de atitude do governo dos EUA, que insiste em prorrogar indefinidamente as sobretaxas, é uma das bandeiras a serem levantadas pelos brasileiros nas negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC).

¿ Para nós, depois de cinco anos de sobretaxas, as empresas que teriam praticado o dumping certamente foram punidas ¿ disse o diplomata.

O Brasil e os outros países que estiverem se sentido prejudicados estão impedidos de entrar com uma ação na OMC contestando a barreira protecionista. O motivo é que, na história do comércio multilateral, até hoje não foi fechado um acordo na área antidumping. No caso do aço brasileiro, as tarifas variam entre 48% e 53%.

(*) Com agências internacionais